O mercado financeiro iniciou a semana com uma onda de revisões positivas para a economia brasileira, de acordo com os dados do Boletim Focus divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (23).
O relatório, que consolida a visão das principais instituições financeiras, aponta para um cenário de maior otimismo em 2026, caracterizado pela redução nas projeções de inflação e juros, acompanhado de um leve ajuste para cima na expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e um recuo na cotação estimada para o dólar.
No campo da inflação, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026 recuou de 3,95% para 3,91%, marcando a sétima semana consecutiva de queda.
O movimento de descompressão também foi observado no Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), cuja estimativa para o mesmo ano caiu de 3,86% para 3,71%. Além disso, os preços administrados — que incluem tarifas como energia e combustíveis — tiveram sua projeção reduzida para 3,67%, ante os 3,76% previstos há um mês, sinalizando um alívio disseminado nos índices de preços para o médio prazo.
Refletindo essa expectativa de inflação mais controlada, os analistas ajustaram a trajetória da taxa Selic. A projeção para o fechamento de 2026 caiu de 12,25% para 12,13% ao ano.
Já para os anos seguintes, o mercado manteve a cautela e a estabilidade: a taxa básica de juros segue projetada em 10,50% para 2027 e 10,00% para 2028. No câmbio, a estimativa para o dólar ao final de 2026 apresentou uma melhora significativa, passando de R$ 5,50 para R$ 5,45, embora a moeda americana deva retomar o patamar de R$ 5,50 nos exercícios subsequentes.
Quanto à atividade econômica, o Boletim Focus trouxe a primeira revisão de alta para o PIB de 2026 após um longo período de estabilidade, elevando a aposta de crescimento de 1,80% para 1,82%.
Para os horizontes mais distantes, como 2028 e 2029, a confiança na economia parece cristalizada, com as projeções de expansão mantidas em 2,00% há quase dois anos no caso de 2028. Esse conjunto de dados sugere que, na visão dos agentes financeiros, o Brasil caminha para um ajuste gradual com juros levemente menores e um fôlego adicional na produção.
