Uma nova pesquisa de opinião realizada pelo instituto Reuters/Ipsos revelou que 53% dos cidadãos dos Estados Unidos temem que o avanço acelerado da inteligência artificial possa resultar na perda de seus empregos ou na demissão de alguém que resida em suas casas. O levantamento, conduzido ao longo de seis dias e finalizado nesta segunda-feira (8), evidenciou que o receio em relação à segurança profissional está amplamente disseminado na sociedade civil, distribuindo-se de forma homogênea entre diferentes faixas etárias, gêneros e níveis de escolaridade.
Em contrapartida, 37% dos participantes responderam não compartilhar dessa preocupação com o mercado de trabalho, enquanto os 10% restantes declararam-se indecisos ou preferiram não responder. O ceticismo geral em relação à tecnologia também registrou alta: 73% dos americanos manifestaram preocupação com o aumento do uso da IA no cotidiano, um incremento sutil frente aos 68% apurados em uma sondagem com a mesma metodologia realizada em 2023.
O sentimento de vulnerabilidade capturado pela pesquisa coincide com uma onda estrutural de demissões em grandes corporações de tecnologia. Como exemplo recente, a desenvolvedora de softwares financeiros Intuit anunciou ao mercado o corte de 17% de sua força de trabalho global. A liderança da companhia justificou o desligamento massivo como parte de um plano de reorganização operacional para canalizar investimentos e focar esforços em frentes estratégicas de inteligência artificial.
Esse cenário de transição forçada tem provocado reações públicas de insatisfação. No último mês, estudantes da Universidade do Arizona vaiaram abertamente o ex-CEO do Google, Eric Schmidt, durante seu discurso de formatura, no momento em que o executivo discorria sobre os impactos e a inevitabilidade da automação na carreira dos novos graduados.
A pesquisa Reuters/Ipsos também mapeou o perfil de utilização e a divisão ideológica dos entrevistados em relação ao tema. O uso regular das ferramentas é liderado por profissionais de maior escolaridade: 50% dos graduados universitários afirmam utilizar a tecnologia de forma recorrente, em comparação com 34% dos cidadãos sem diploma de ensino superior e 40% da média da população geral.
No campo político, os dados revelam visões distintas entre as principais legendas do país:
- Partido Democrata: O ceticismo e o temor de perdas de postos de trabalho atingem 61% dos eleitores alinhados à legenda, que concentra uma fatia expressiva de profissionais graduados.
- Partido Republicano: Entre os eleitores republicanos, o índice de preocupação com o desemprego via IA recua para 47%. A base partidária tem atraído um volume crescente de trabalhadores da classe operária desde a ascensão política de Donald Trump.
Os riscos associados ao mau uso da IA — compreendendo desde campanhas de desinformação e propaganda política digital até aplicações na indústria de entretenimento e sistemas autônomos de guerra — motivaram alertas contundentes por parte de líderes de Estado e também do Papa Leão XIV, que recentemente emitiu diretrizes morais globais pedindo a salvaguarda dos direitos dos trabalhadores diante da nova revolução tecnológica.
A despeito dos dilemas éticos e sociais, o ecossistema corporativo de IA segue em ritmo de forte expansão comercial desde a estreia pública do ChatGPT da OpenAI, em 2022. No segmento de soluções corporativas, a rival Anthropic consolidou forte tração de mercado com o lançamento de seu assistente especializado em programação, o Claude Code. Ambas as companhias geram forte expectativa em Wall Street devido aos seus preparativos confidenciais para a abertura de capital (IPO) em bolsa de valores, figurando como os ativos de inovação mais cobiçados por investidores institucionais nesta temporada.
Nota Metodológica: A pesquisa Reuters/Ipsos coletou dados de 4.531 adultos distribuídos por todo o território nacional dos Estados Unidos. O índice de confiabilidade do levantamento apresenta uma margem de erro estimada em 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
*Com informações da Reuters
