A Indústria Elétrica Marangoni Maretti, empresa de Mogi Mirim, no interior de São Paulo, encontrou em uma tecnologia contra pernilongos uma nova frente de crescimento. Fundada na década de 1940 e conhecida pela fabricação de componentes para transformadores elétricos, a companhia passou a atuar também no mercado de controle de mosquitos com a Mosqitter.
O equipamento foi desenvolvido por uma startup ucraniana e chegou ao Brasil após testes e adaptações locais. Em 2025, a operação faturou R$ 2 milhões com cerca de 300 unidades instaladas em hotéis, restaurantes, clubes, condomínios e residências.
Agora, a empresa prepara uma nova etapa comercial. Além de lançar um modelo de locação para clientes corporativos, a Marangoni Maretti pretende trazer ao país uma versão compacta da armadilha ainda em 2026. A meta é crescer 40% neste ano em relação ao desempenho de 2025.
Empresa tradicional entrou em nova área de tecnologia
A Marangoni Maretti nasceu com foco em manutenção de transformadores elétricos, em uma época em que o Brasil ainda dependia de equipamentos importados nesse setor. Com o tempo, a companhia passou a fabricar radiadores e ventiladores industriais usados em sistemas de refrigeração para transformadores.
Além da atuação no setor elétrico, a empresa também trabalha com pisos metálicos industriais e segurança viária. A aproximação com novas tecnologias ganhou força em 2016, quando a companhia criou uma área de pesquisa e desenvolvimento com dinâmica semelhante à de uma startup.
Foi nesse contexto que surgiu a oportunidade de trazer a Mosqitter ao Brasil. A empresa já acompanhava o avanço de doenças transmitidas por mosquitos no país e buscava uma solução com respaldo técnico para atuar nesse mercado.
Antes da venda comercial, unidades importadas passaram por validações locais. Os testes foram realizados pelo Grupo de Pesquisa em Imunoparasitologia da Universidade do Sul de Santa Catarina, o IMPAR-Unisul, que mantém colônias de Aedes aegypti para pesquisas.
“Trouxemos algumas dessas armadilhas importadas para o Brasil para realizar validações locais, muito por causa do Aedes aegypti, já que na Europa as espécies que prevalecem são outras”, afirma Pedro Moreira, responsável pela Mosqitter no Brasil.
Como funciona a Mosqitter
A Mosqitter funciona como uma armadilha que simula características do corpo humano para atrair mosquitos. O sistema combina emissão de dióxido de carbono, temperatura próxima à corporal, contraste visual e atrativo sintético semelhante a compostos presentes no suor.
O foco principal são as fêmeas, responsáveis pelas picadas e pela transmissão de doenças como dengue. Ao atrair esses mosquitos, o equipamento busca reduzir a presença dos insetos na área atendida e dificultar a reprodução.
Segundo a empresa, a tecnologia pode atrair mosquitos em um raio de até 50 metros em locais sem barreiras físicas. Estudos apresentados pela companhia apontam redução de até 93% nas picadas de pernilongos em humanos.
O equipamento depende de dois insumos de reposição periódica: um cilindro de CO₂, substituído mensalmente, e um sachê com atrativo sintético, trocado a cada 60 dias. A Marangoni Maretti comercializa os itens e oferece acompanhamento técnico aos clientes.
Custo inicial levou empresa a apostar em locação
Apesar do potencial da tecnologia, o maior desafio da Mosqitter no Brasil não está apenas no funcionamento do equipamento. A empresa precisou convencer o mercado de que o investimento inicial, mais alto do que soluções tradicionais, poderia ser compensado ao longo do tempo.
“Não é fácil convencer um cliente de que ele vai ter uma economia no longo prazo tendo esse desembolso inicial um pouco maior”, afirma Moreira.
Para acelerar a adoção, a companhia instalou unidades gratuitamente em hotéis e restaurantes durante a fase de testes. A estratégia ajudou a tornar o produto mais conhecido e serviu como vitrine para clientes residenciais e corporativos.
Atualmente, a Mosqitter está presente em 20 estados brasileiros. Entre os clientes citados pela empresa estão hotéis, pousadas, clubes e espaços de alto fluxo, como o Rosewood, o Palácio Tangará, o Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro e a Pousada Caiman, no Pantanal.
