Movimento no varejo físico recua 0,5% em 2025, aponta IICV Seed

Varejo brasileiro cresce 13,8% nas vendas em abril, aponta estudo da HiPartners

Pixabay

Um ano desafiador para o varejo físico brasileiro. De acordo com o Índice de Intenção de Compra no Varejo (IICV) consolidado de 2025, o movimento nas lojas físicas recuou 0,5% em comparação ao ano anterior. É o segundo ano consecutivo de retração no acumulado (0,9% de queda em 2024 versus 2023), com base no estudo produzido pela Seed Digital.

O IICV Seed revela a oscilação entre os trimestres. Enquanto o primeiro e o terceiro registraram altas de 2,7% e 0,8%, respectivamente, o segundo e o quarto apresentaram quedas de 2% e 2,5%, exercendo influência direta sobre o desempenho anual.

Na opinião de Sidnei Raulino, CEO da Seed Digital, o cenário macroeconômico e a concorrência com o digital são os principais fatores. “Em 2025, houve uma retomada mais consistente da competitividade do varejo digital, especialmente nos períodos de maior pressão promocional, o que dificultou ao varejo físico sustentar os níveis do ano anterior, a despeito de o varejo físico ainda representar mais de 80% das vendas do setor. Esse movimento ocorreu em um contexto macroeconômico ainda desafiador, com recuperação cautelosa da confiança do consumidor, juros elevados e outros indicadores que continuaram a pressionar o consumo”.

As lojas de Rua encerraram o ano com leve alta de 0,2%, enquanto as lojas de Shopping registraram retração de 0,8%. Esse resultado reflete comportamentos distintos ao longo do ano. O varejo de rua apresentou oscilações mais alinhadas ao desempenho nacional, com maior pressão negativa nos trimestres que concentram as principais datas do calendário comercial, mas conseguiu preservar algum nível de equilíbrio no fechamento anual.

Já as lojas de Shopping registraram queda em três dos quatro trimestres, apresentando desempenho positivo apenas no terceiro trimestre, período tradicionalmente favorecido pelas férias de julho. Outro fator que contribuiu para esse desempenho foi a configuração do calendário em 2025. A concentração de feriados em finais de semana resultou em um ano com mais dias úteis em comparação a 2024, reduzindo a atratividade dos shoppings como opção de lazer e consumo em dias de folga, especialmente fora dos períodos de férias.

O IICV Seed evidencia que o desempenho do varejo em 2025 foi marcado por comportamentos regionais distintos. As regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste encerraram 2025 com desempenho positivo, registrando variações de 0,8%, 1,1% e 1,2%, respectivamente.

O Sul, após um 2024 fortemente impactado por eventos climáticos extremos, em 2025 representou um ano de retomada gradual (0,4%), ainda que novamente marcado por episódios que, em determinados momentos, limitaram a recuperação plena. Em sentido oposto, a Região Sudeste apresentou retração anual de 1,7%, com destaque negativo para o quarto trimestre, que registrou queda expressiva de 6,6%.

De acordo com o IICV Seed de 2025, o segmento que reúne Perfumaria, Maquiagem e Cosméticos encerrou o ano com crescimento de 3,3%, consolidando-se como o principal destaque positivo do período. Na outra extremidade, o setor de Moda apresentou o desempenho mais negativo de 2025, com retração de 7,6%.

Os dados de 2025 reforçam que o desafio para 2026 não está em preservar estruturas, mas em revisitar estratégias. Nesse contexto, o varejo físico é chamado a inovar novamente, com experiências de compra menos friccionais, mais fluídas e nas quais a experiência seja o principal diferencial. O consumidor permanece ativo, interessado em comprar, mas cada vez mais disposto a escolher o canal que lhe ofereça a melhor relação entre valor percebido e experiencia”, conclui Sidnei Raulino.

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