Guilherme Carrullo conheceu a MXM Sistemas do lado do cliente. Em 1995, ele trabalhava em um escritório de contabilidade no Rio de Janeiro quando foi contratado para implantar o ERP da empresa. O trabalho chamou a atenção do fundador, Maurício Felgueiras, que o convidou para integrar a companhia.
Três décadas depois, Carrullo ocupa a cadeira de CEO da MXM, empresa brasileira de software de gestão empresarial. A companhia atende mais de 10 mil CNPJs no país e projeta alcançar R$ 120 milhões em faturamento em 2026.
Fundada há mais de 35 anos no Rio de Janeiro, a MXM desenvolve sistemas de gestão para médias e grandes empresas. O ERP reúne módulos financeiros, fiscais, contábeis, de suprimentos, contratos e orçamento.
“Eu conheci a empresa como cliente. Depois fui convidado para trabalhar nela e nunca mais saí”, afirma Carrullo.
Executivo passou por diferentes áreas da empresa
A trajetória de Carrullo dentro da MXM começou em 1998, quando ele entrou como consultor de implantação. A experiência prévia em contabilidade ajudou o executivo a se aproximar de um dos principais diferenciais da empresa: a especialização fiscal e tributária.
Ao longo dos anos, ele passou por diferentes áreas da companhia, liderou equipes e assumiu posições executivas. Em 2007, tornou-se vice-presidente operacional. Em agosto de 2023, assumiu oficialmente a presidência da empresa.
A história da MXM também começou de forma próxima ao modelo clássico de empreendedorismo brasileiro. Segundo Carrullo, Felgueiras vendia pela manhã, implantava sistemas à tarde e programava à noite. A empresa nasceu a partir da demanda de um cliente específico e cresceu com tecnologia própria.
Venda para Vela Latam trouxe nova fase
Em junho de 2024, a MXM foi adquirida pela Vela Latam, grupo internacional de software. A operação marcou uma transição importante para a companhia, já que o fundador deixou a empresa no dia seguinte à assinatura do acordo.
Segundo Carrullo, a mudança não afetou a relação com os clientes. O produto e o atendimento foram preservados, enquanto os ajustes ocorreram principalmente na estrutura interna, com reforço em governança, controles e troca de experiências com outras empresas do grupo.
“Costumo dizer que hoje somos uma multinacional que mantém o DNA brasileiro”, afirma.
A aquisição também aproximou a MXM de uma rede internacional de empresas de software. Executivos da companhia passaram a participar de encontros em países como Colômbia, México e Dinamarca para troca de práticas de gestão e tecnologia.
ERP atende setores regulados
Hoje, a MXM possui cerca de 400 contratos corporativos, que representam mais de 10 mil CNPJs. A empresa tem presença em setores regulados e complexos, como óleo e gás, saúde e BPO, segmento que inclui escritórios de contabilidade e prestadores de serviços empresariais.
Entre os clientes citados estão Dasa, Serpro, Sesc e Senac. No caso do Sistema S, a operação pode envolver diferentes regionais sob uma mesma marca, o que amplia a complexidade dos contratos.
Depois de um período de ajustes em 2024, a empresa voltou a acelerar. O faturamento saiu de cerca de R$ 90 milhões em 2023 para mais de R$ 100 milhões em 2025. Para 2026, a meta é chegar a R$ 120 milhões.
IA e reforma tributária entram no centro da estratégia
A MXM também prepara novas frentes de crescimento com inteligência artificial e reforma tributária. Na área de IA, a empresa atua em três caminhos: uso interno para eficiência operacional, aplicações embutidas no sistema e ferramentas acessadas diretamente pelos clientes.
Entre as possibilidades estão assistentes para compras, aprovações e atendimento. Carrullo, porém, afirma que a adoção precisa ser feita com cautela, já que sistemas de ERP concentram dados sensíveis das empresas.
“O desafio não é implementar IA por implementar. É fazer isso de forma responsável e protegendo os dados dos clientes”, afirma.
