Natura recua após balanço do primeiro trimestre de 2026

A Natura&Co reportou resultados abaixo das expectativas no primeiro trimestre de 2026, ampliando o prejuízo líquido de R$ 152 milhões para R$ 445 milhões na comparação anual. O desempenho pressionou as ações da companhia (NATU3), que chegaram a cair mais de 6% na abertura do pregão desta terça-feira — um dos piores desempenhos do Ibovespa na sessão — antes de arrefecer para uma queda de 1,62%, a R$ 10,33.

Os números operacionais também vieram abaixo do esperado. O Ebitda recorrente somou R$ 346 milhões, queda de 55,7% em relação ao mesmo período de 2025, ante estimativa média de R$ 430 milhões dos analistas consultados pela LSEG. A receita líquida recuou 7,7% na base anual, para R$ 4,75 bilhões — acima da projeção de R$ 4,3 bilhões do consenso, mas insuficiente para compensar a deterioração das margens. A margem Ebitda caiu 7,9 pontos percentuais na comparação anual, pressionada por margem bruta abaixo do esperado, desalavancagem operacional e despesas rescisórias ligadas à reestruturação em curso.

A administração da empresa classificou o período como um “trimestre transitório”, atribuindo o fraco desempenho ao ambiente macroeconômico adverso — sobretudo no Brasil e na Argentina — e à limitada inovação da marca Avon. A combinação exigiu aumento nos investimentos em consultoras para estimular a atividade comercial, elevando custos em um momento de receita pressionada. O fluxo de caixa livre também foi impactado: a XP Investimentos apurou uma queima de R$ 430 milhões no trimestre, reflexo dos desembolsos pontuais relacionados ao acordo da Chapman e à reestruturação da companhia.

Para o Itaú BBA, o resultado veio abaixo em todas as linhas operacionais, com desempenho recorrente pior do que aparenta à primeira vista. A receita da Natura Brasil caiu 3% na base anual, sem melhora em relação ao quarto trimestre de 2025. O banco destacou ainda um risco adicional para o segundo trimestre: a implementação do sistema SAP em junho, que a própria administração apontou como fator de risco de execução — o que, na avaliação do BBA, empurra o nível de convicção dos investidores para o segundo semestre.

Apesar do resultado fraco, ambas as casas mantêm uma visão construtiva sobre a tese de médio prazo. Um elemento relevante é a indicação de preço não vinculante da Advent International em R$ 9,75 por ação, que analistas enxergam como um piso para os papéis. A isso se somam cerca de R$ 500 milhões em economias anualizadas de despesas administrativas que devem começar a aparecer a partir do segundo trimestre, fruto da reestruturação em andamento.

O gatilho para uma reprecificação das ações, no entanto, foi adiado. O Itaú BBA, que mantém recomendação de compra com preço-alvo de R$ 14, projeta que a aceleração da operação brasileira — com crescimento de média casa de um dígito na comparação anual — deve se materializar no terceiro trimestre. A XP, por sua vez, prevê que os investidores devem adotar uma postura de cautela até que os riscos macroeconômicos e de execução se dissipem. O segundo semestre de 2026 surge, assim, como o horizonte mais provável para a validação — ou não — da tese de recuperação da Natura.

Sair da versão mobile