A Núcleo Vitro registrou crescimento de 60% ao ano entre 2024 e 2025 com a produção de modelos de tecidos humanos em laboratório. As soluções são utilizadas por empresas para avaliar a segurança e a eficácia de cosméticos, medicamentos, suplementos e produtos veterinários.
Fundada em 2019 pela cientista e empreendedora Bibiana Matte, a biotech brasileira desenvolve peles equivalentes em 3D, tecidos envelhecidos, sistemas de absorção intestinal e outras estruturas in vitro que simulam processos do organismo.
O modelo de negócios atende uma demanda crescente por testes mais rápidos, previsíveis e sem o uso de animais. Ao produzir a tecnologia no Brasil, a empresa também busca reduzir a dependência de tecidos bioengenheirados importados e de laboratórios estrangeiros.
Antes da oferta nacional, parte das companhias precisava contratar ensaios na Europa ou importar materiais cotados em euro, segundo a Núcleo Vitro. Além do custo, esse processo envolvia prazos maiores e dificuldades logísticas.
“Quando as metodologias tradicionais começaram a esbarrar na necessidade de maior agilidade no Brasil, ficou evidente que o país tinha um gargalo de infraestrutura”, afirma Bibiana Matte.
A fundadora avalia que havia demanda da indústria, avanço regulatório e pressão dos consumidores por produtos com comprovação científica, mas poucas empresas nacionais capazes de entregar essas soluções com tecnologia própria.
Modelos ajudam a acelerar pesquisas
Os sistemas desenvolvidos pela Núcleo Vitro permitem que empresas avaliem ingredientes e produtos em estruturas que reproduzem características de tecidos humanos.
Na indústria de cosméticos, as peles 3D podem ser utilizadas em pesquisas sobre irritação, envelhecimento, inflamação e eficácia de fórmulas. Já os modelos intestinais ajudam a estudar a absorção e o comportamento de suplementos, vitaminas e outras substâncias.
A proposta não elimina todas as etapas de validação necessárias para um produto, mas pode ajudar as companhias a selecionar alternativas mais promissoras antes de avançar para fases mais caras do desenvolvimento.
Esse processo reduz o risco de investir recursos em moléculas, ativos ou formulações que apresentem baixo desempenho ainda nos estágios iniciais de pesquisa.
Operação avança para novos mercados
Inicialmente mais concentrada na indústria de beleza, a startup ampliou o portfólio para atender empresas dos segmentos farmacêutico, nutracêutico e veterinário.
A diversificação acompanha o crescimento dos mercados de saúde, bem-estar, suplementação e cuidados pessoais. Também responde ao aumento da procura por metodologias alternativas aos testes em animais.
Entre as próximas frentes estão modelos inflamatórios, sistemas de absorção intestinal e estruturas conhecidas como organ-on-a-chip. Essas tecnologias reproduzem determinadas funções de órgãos em dispositivos de laboratório e podem apoiar estudos mais complexos.









