Em um mercado em que a transformação digital se dá de forma cada vez mais acelerada, o diferencial competitivo não está na tecnologia, mas na capacidade das organizações de gerir mudanças. Essa foi a mensagem reforçada por Carolina Dybeck Happe, diretora de operações da Microsoft, que, durante um evento em Nova York, destacou que o foco em pessoas e processos é o que sustenta a transformação da empresa rumo a uma organização centrada em IA.
Ao detalhar como a empresa está conduzindo sua jornada para liderar a era das IAs, Carolina destaca que a transformação não começa pela tecnologia, mas pela revisão profunda de processos e pelo fortalecimento das equipes. Antes de automatizar, a Microsoft dedicou-se a entender como o trabalho realmente acontece, adotando princípios da filosofia Kaizen, também difundido no país como uma das bases da metodologia TPM (Total Performance Management), para eliminar etapas desnecessárias, redesenhar fluxos e só depois incorporar agentes de IA.
A filosofia, aplicada à metodologia de gestão de produtividade, orienta a participação ativa das pessoas para a prática de pequenas melhorias contínuas que levarão a uma melhora da produtividade, menos desperdício e melhores resultados. E isso só acontece quando há engajamento real das equipes, desenvolvimento de competências e clareza de papéis. Por isso, antes de incorporar ferramentas de IA, a empresa dedicou-se a compreender como o trabalho é realizado, redesenhar fluxos de forma colaborativa e fortalecer a gestão de pessoas, já que nenhum processo, por mais automatizado que seja, sustenta desempenho sem uma cultura sólida e equipes preparadas.
O resultado para a Microsoft foi expressivo: processos que antes tinham 230 passos foram reduzidos a menos de 40, dos quais 75% passaram a ser automatizados, não apenas acelerando entregas, mas elevando a experiência de colaboradores e clientes. Para empresas brasileiras, muitas ainda em estágios distintos de maturidade digital, a lição é estratégica. Assim como já se vê em metodologias como TPM, amplamente discutidas pela FACT em eventos como o Fórum Brasil TPM, a excelência operacional nasce da combinação entre processos bem definidos e pessoas capacitadas para sustentá-los.
Empresas que tratam a IA como solução imediata para problemas estruturais tendem a descobrir que a automação, sem alinhamento humano, apenas acelera ineficiências. Se a IA é a força que impulsiona a nova economia, a gestão de pessoas é o que mantém a direção. E, no cenário atual, saber conduzir essa transformação é o verdadeiro diferencial competitivo.
* Paulo Canario é sócio da Fact Consultoria, engenheiro e instrutor JIPM TPM (Total Performance Management).





