A Oncoclínicas (ONCO3) informou ao mercado, nesta terça-feira, a renúncia de Marcelo Gasparino da Silva ao cargo de membro e presidente do conselho de administração da companhia. O pedido, formalizado na véspera, desencadeou um efeito cascata na estrutura de governança da empresa devido às regras do sistema de voto múltiplo sob o qual o colegiado foi eleito.
De acordo com o fato relevante publicado, a saída de Gasparino implica a destituição automática dos demais conselheiros. Isso ocorre porque, em eleições realizadas por voto múltiplo, a composição do conselho é tratada como um bloco único; se um membro renuncia ou é destituído, todo o grupo deve ser renovado para garantir a proporcionalidade das frações acionárias.
Diante desse cenário, a Oncoclínicas já convocou uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para o dia 30 de abril de 2026. Na ocasião, os acionistas deverão deliberar sobre a eleição de todos os novos membros que irão compor o conselho de administração da companhia, recompondo a liderança estratégica da rede de tratamento oncológico.
Após um ciclo intenso de compras de clínicas e parcerias, a empresa direcionou sua estratégia para a “integração operacional”. O objetivo atual é extrair sinergias das unidades já adquiridas para melhorar a margem EBITDA. O mercado tem monitorado de perto a capacidade da empresa em converter lucro contábil em caixa real, um dos desafios históricos do setor de saúde.
A estrutura de capital da Oncoclínicas é um ponto de atenção constante para os analistas. O endividamento subiu nos últimos anos devido aos juros elevados e ao custo das aquisições.
A companhia tem trabalhado para reduzir sua relação Dívida Líquida/EBITDA, utilizando tanto a geração interna de caixa quanto, eventualmente, a venda de ativos não estratégicos ou captações de longo prazo para alongar o perfil da dívida.
