A Organização das Nações Unidas (ONU) revisou para baixo sua projeção de crescimento econômico global nesta terça-feira, citando a crise no Oriente Médio como o principal vetor de deterioração das perspectivas. Segundo a atualização de meio de ano do relatório “Situação Econômica Mundial e Perspectivas”, o PIB global deve crescer 2,5% em 2026 — 0,2 ponto percentual abaixo da projeção divulgada em janeiro e bem abaixo das taxas registradas no período pré-pandemia. Em 2025, o crescimento estimado é de 3,0%.
O conflito no Oriente Médio reacendeu pressões inflacionárias e ampliou as incertezas para empresas e famílias em todo o mundo, segundo a ONU. A alta nos preços da energia gerou ganhos inesperados para as companhias do setor, mas intensificou os custos operacionais da indústria e reduziu o poder de compra dos consumidores. Nas economias desenvolvidas, a inflação deve subir de 2,6% em 2025 para 2,9% em 2026. Nas economias em desenvolvimento, o salto é mais acentuado: de 4,2% para 5,2%.
A região mais afetada é a Ásia Ocidental, que deve registrar uma queda brusca no crescimento, de 3,6% para apenas 1,4% em 2026. O recuo é agravado pelos danos diretos à infraestrutura, ao comércio e ao turismo provocados pelo conflito armado, que comprometem a atividade econômica local de forma mais estrutural do que em outras regiões do globo.
A Europa aparece como uma das áreas mais vulneráveis entre as economias avançadas, penalizada pela dependência de energia importada. A ONU projeta que o crescimento da União Europeia recue de 1,5% para 1,1% em 2026, enquanto o Reino Unido deve desacelerar de 1,4% para apenas 0,7% — um dos recuos mais expressivos entre os países desenvolvidos do continente.
Os Estados Unidos, por outro lado, devem se mostrar comparativamente resilientes. A projeção de crescimento americano permanece em 2,0% em 2026, praticamente estável em relação à expansão estimada para 2025, sustentada pela força da demanda doméstica e pelo ciclo de investimentos em tecnologia e inteligência artificial, que tem impulsionado a produtividade e os gastos corporativos.
Na Ásia, os cenários divergem. A China deve desacelerar de 5,0% para 4,6%, mas conta com amortecedores relevantes: um mix energético diversificado, reservas estratégicas consideráveis e um conjunto de políticas de suporte à atividade econômica. Já a Índia enfrenta uma desaceleração mais acentuada, com o crescimento projetado caindo de 7,5% para 6,4% — ainda assim, um dos ritmos mais elevados entre as grandes economias do mundo.
Para 2027, a ONU projeta uma recuperação modesta, com o crescimento global chegando a 2,8%. A organização reconhece que mercados de trabalho sólidos, demanda resiliente dos consumidores e o impulso do comércio e dos investimentos em IA oferecem algum suporte à atividade global. No entanto, a revisão de hoje reforça que o enfraquecimento das perspectivas é real e que a trajetória de recuperação dependerá, em grande medida, da evolução do conflito no Oriente Médio e de seus efeitos sobre os mercados de energia e as cadeias globais de suprimentos









