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Home Inteligência Artificial (IA)

Irmãos investem R$ 20 milhões em startup para fazer marcas serem recomendadas por IA

Murilo Rodrigues por Murilo Rodrigues
06/07/2026
em Inteligência Artificial (IA), Tecnologia
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Durante anos, empresas disputaram espaço no Google com palavras-chave, links e estratégias de SEO. A popularização de ferramentas como ChatGPT e Gemini abriu uma nova frente: aparecer nas respostas geradas por inteligência artificial e, principalmente, ser citado quando o usuário pede uma recomendação.

Foi nesse mercado que os irmãos Andressa e Michel Gildin decidiram investir R$ 20 milhões para criar a Oria, plataforma que monitora como marcas aparecem em diferentes sistemas de IA e indica ações para ampliar essa presença.

Lançada em março de 2026, a startup já reúne 100 clientes. A meta é chegar a 500 até o fim do ano e alcançar R$ 100 milhões em faturamento dentro de cinco anos.

“É uma plataforma global que permite visualizar e analisar como a sua marca está posicionada em diferentes IAs. Não basta saber o ranking: o diferencial está em transformar essa análise em ação efetiva”, afirma Michel.

Do SEO ao GEO

A tese da Oria parte do avanço do chamado GEO, Generative Engine Optimization, conjunto de estratégias voltadas a melhorar a presença de empresas e conteúdos em respostas produzidas por mecanismos de IA generativa.

A lógica difere do SEO tradicional. No Google, empresas trabalham sobre um ambiente de busca mais previsível, com páginas de resultados e posições relativamente fáceis de acompanhar. Modelos generativos podem entregar respostas diferentes para perguntas semelhantes e selecionar fontes distintas conforme o contexto.

Para as marcas, isso cria uma dificuldade adicional: entender por que uma empresa aparece em determinada resposta, por que um concorrente é recomendado e quais fontes sustentam essa escolha.

A plataforma da Oria monitora esse posicionamento e aponta lacunas. A proposta é mostrar como a empresa está sendo interpretada pelos modelos e quais ajustes podem aumentar sua relevância.

Ideia nasceu dentro da comunicação

Michel é formado em Administração e criou, em 2013, uma empresa de assessoria de imprensa. Foi nessa operação que percebeu uma mudança no comportamento dos clientes e no papel das matérias jornalísticas, menções públicas e demais fontes usadas pelos sistemas de IA.

“O posicionamento das marcas nas IAs é fortemente influenciado por matérias e veículos de comunicação. Foi a partir dessa percepção, e de uma demanda crescente dentro da assessoria de imprensa, que surgiu a ideia de criar um novo serviço”, afirma.

Andressa, formada em Arquitetura, seguiu outro caminho profissional. Especializou-se em design e desenvolvimento de plataformas de software como serviço e foi convidada pelo irmão para participar da construção da tecnologia.

A Oria nasceu como empresa independente. Antes do lançamento comercial, os fundadores testaram uma versão beta para observar como diferentes IAs interpretavam, citavam e ranqueavam marcas.

“Esse processo foi essencial para validar a tecnologia, ajustar o produto e evoluir a plataforma com base em dados reais e feedback dos primeiros usuários”, diz Andressa.

Plataforma transforma monitoramento em ações

O sistema analisa como uma empresa aparece nas respostas de diferentes ferramentas e busca transformar os dados em recomendações práticas.

A plataforma observa, por exemplo, quais fontes estão associadas à marca, em quais tipos de perguntas ela é mencionada e onde concorrentes têm maior presença.

O objetivo é identificar oportunidades para melhorar conteúdos e aumentar a chance de uma empresa ser citada de maneira relevante pelos modelos.

Além do software, a Oria mantém equipes para auxiliar clientes na interpretação dos dados e na aplicação das recomendações.

Segundo a companhia, um cliente que inicialmente não aparecia nas respostas das principais IAs passou a ser mencionado após cerca de 45 dias de trabalho. Nesse caso, o ChatGPT se tornou a quarta maior fonte de tráfego do negócio e a geração de leads cresceu 25%.

Grandes empresas estão no foco

A Oria começou a operar em três idiomas e pretende crescer desde o início como plataforma internacional. A estratégia comercial prioriza grandes empresas.

Na leitura de Michel, companhias maiores partem com vantagem porque já concentram mais fontes públicas, menções e sinais de confiança disponíveis para os modelos.

“As enterprises são as que hoje mais avançam nesse mercado, porque tendem a ser também as primeiras a aparecer nas respostas das IAs”, afirma.

Ainda assim, a startup criou um plano inicial voltado a pequenas e médias empresas. A intenção é permitir que negócios menores monitorem como são encontrados e citados.

“O primeiro passo é aparecer nas respostas; depois, garantir que a marca seja mencionada da forma certa”, diz Michel.

Estados Unidos e Europa entram no plano

A expansão internacional terá foco inicial nos Estados Unidos e na Europa. A empresa pretende investir em marketing digital, ações de busca e webinars para explicar o conceito de GEO a potenciais clientes.

O trabalho de educação do mercado é parte relevante da estratégia. Muitas empresas ainda acompanham apenas tráfego de buscadores tradicionais e não medem sua presença em respostas produzidas por IA.

Ao mesmo tempo, consumidores já recorrem a ferramentas generativas para comparar produtos, procurar fornecedores, escolher serviços e descobrir marcas.

“As pessoas já estão tomando decisões com base nas respostas das IAs. A questão não é mais se as marcas devem estar nesses ambientes, mas como elas vão aparecer neles”, afirma Michel.

Tags: ChatGPTGeminiGEOInteligência Artificialmarketing digitalOriaStartups
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Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues

Murilo Rodrigues é jornalista formado pela PUCRS, com atuação nas áreas de conteúdo digital, SEO e tendências. Tem experiência na construção de narrativas digitais estratégicas, unindo apuração, linguagem contemporânea e análise de tendências. Pautas em [email protected]

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