O PayPal divulgou nesta terça-feira resultados acima das expectativas de Wall Street para o primeiro trimestre de 2026, sustentado pela resiliência do consumo e pelo crescimento do volume de transações em sua plataforma. A receita da empresa avançou 7%, para US$ 8,35 bilhões, superando a estimativa média dos analistas de US$ 8,05 bilhões, segundo dados da LSEG. O lucro ajustado por ação ficou em US$ 1,34, também acima da projeção de US$ 1,27.
O volume total de pagamentos processados pela plataforma saltou 8% em moeda constante na comparação anual, chegando a cerca de US$ 464 bilhões no trimestre encerrado em 31 de março. O desempenho reflete, em parte, a resiliência dos gastos das famílias de maior renda, que têm sustentado o consumo apesar das pressões inflacionárias e das incertezas econômicas agravadas pelo conflito no Oriente Médio.
O setor de pagamentos digitais como um todo tem dado sinais de robustez. No mês passado, Visa, Mastercard e American Express também divulgaram resultados trimestrais sólidos, sinalizando que as tendências de gasto se mantêm firmes mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. O PayPal se beneficia desse contexto, embora enfrente pressões específicas em seu modelo de negócio.
Um dos focos de atenção do mercado é o desempenho do segmento de checkout online de marca própria — que rastreia transações em que os consumidores escolhem ativamente as carteiras PayPal ou Venmo no momento do pagamento e possui margens mais elevadas. Esse segmento cresceu apenas 2% no primeiro trimestre, ritmo considerado modesto diante da concorrência acirrada de gigantes como Apple e Google, que avançaram com força no mercado de pagamentos digitais nos últimos anos.
A entrada das big techs no setor é parte de um cenário competitivo que tem pressionado o PayPal desde o fim do ciclo de crescimento acelerado vivido durante a pandemia. Após atingir máximas históricas em meados de 2021, as ações da companhia acumulam queda superior a 80%, reflexo do esfriamento do crescimento e das dúvidas do mercado sobre a capacidade da empresa de se reinventar frente aos novos concorrentes.
É nesse contexto que o PayPal aposta em uma reestruturação sob o comando de seu novo CEO, Enrique Lores, que conduzirá sua primeira teleconferência de resultados nesta terça-feira. Desde que assumiu o cargo em março, Lores anunciou a reorganização dos negócios em três unidades operacionais, incluindo uma divisão separada dedicada ao Venmo — aplicativo de pagamentos entre pessoas que tem crescido em relevância entre os usuários americanos.
Para sustentar a transformação, a empresa delineou um plano de eficiência que prevê cortes de aproximadamente US$ 1,5 bilhão em custos ao longo dos próximos dois a três anos. O valor economizado será reinvestido em iniciativas de crescimento, segundo a companhia. O mercado aguarda mais detalhes sobre a estratégia de Lores para reposicionar o PayPal em um setor cada vez mais disputado e dominado por plataformas de tecnologia com recursos praticamente ilimitados.
