PayPal projeta lucro abaixo do esperado em 2026 e anuncia novo CEO

O conselho de administração do PayPal anunciou uma mudança drástica em seu comando na última terça-feira, nomeando Enrique Lores, atual CEO da HP, como o novo líder da gigante de pagamentos. A decisão ocorre em meio a um cenário de crise, com a empresa reportando resultados do quarto trimestre abaixo das projeções de Wall Street e uma previsão de lucros para 2026 considerada desanimadora pelos investidores. Como reação imediata, as ações da companhia chegaram a despencar quase 16% nas negociações pré-mercado.

A saída do atual CEO, Alex Chriss, reflete a insatisfação do conselho com a velocidade das mudanças e da execução estratégica sob sua gestão. Chriss havia assumido o desafio de guiar o PayPal em um período de retração pós-pandemia e crescente pressão de rivais como Apple, Google e novas fintechs.

Até a chegada definitiva de Lores, prevista para 1º de março, o cargo será ocupado interinamente pelo diretor financeiro Jamie Miller. Enrique Lores traz na bagagem a experiência de mais de seis anos à frente da HP, onde lidou com a complexidade do mercado de eletrônicos de consumo.

Os números do quarto trimestre evidenciam o impacto do cenário macroeconômico. A receita de US$ 8,68 bilhões ficou aquém da estimativa de US$ 8,80 bilhões, enquanto o lucro ajustado por ação foi de US$ 1,23, abaixo dos US$ 1,28 esperados.

Segundo a empresa, o consumo foi duramente afetado pelas altas taxas de juros e pelo custo de vida elevado, que forçaram as famílias a priorizar itens essenciais em detrimento de gastos supérfluos, frustrando o desempenho esperado para a temporada de festas de fim de ano.

Um dos pontos de maior preocupação para o mercado é a desaceleração do negócio de pagamentos com marca própria, que possui margens de lucro superiores. As vendas online nesse segmento cresceram apenas 1% no último trimestre, uma queda brusca frente aos 6% registrados no ano anterior.

O PayPal atribui o desempenho à fragilidade do varejo nos Estados Unidos e às dificuldades no mercado internacional. Sob a nova liderança de Lores, o desafio será recuperar o terreno perdido para as Big Techs e retomar o ritmo de crescimento lucrativo que os acionistas exigem.

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