PDG Realty troca CEO em meio a disputa no conselho e investigação da CVM

A PDG Realty nomeou Roberto Giarelli como novo diretor-presidente e diretor de relações com investidores. A mudança ocorreu após o conselho de administração destituir Mauricio Tiso de Souza dos dois cargos em uma reunião realizada na segunda-feira (13).

Giarelli, que já ocupava a vice-presidência financeira da companhia, assume as novas funções imediatamente e acumulará os três postos. Em fato relevante, a PDG afirmou confiar que a experiência e a dedicação do executivo contribuirão para a nova fase da incorporadora.

A troca, porém, não ocorreu sem resistência. Tiso tentou adiar a discussão sobre sua saída e questionou a falta de documentos e justificativas econômicas que, em sua avaliação, sustentariam a decisão do conselho.

Segundo a ata da reunião, o ex-presidente indicou que poderá adotar medidas perante a Câmara de Arbitragem do Mercado. Mesmo afastado da presidência e da área de relações com investidores, ele permanece como membro do conselho de administração.

Roberto Giarelli acumula comando e finanças

Ao assumir a presidência, Giarelli passa a concentrar a gestão executiva, a comunicação com investidores e a área financeira da PDG.

A centralização pode facilitar decisões em um momento no qual a companhia enfrenta baixa geração de receita, endividamento elevado e dificuldades para retomar lançamentos imobiliários em maior escala.

A PDG agradeceu a Tiso pela contribuição durante o período em que ocupou os cargos, mas não detalhou publicamente os motivos econômicos que levaram à substituição.

A ata mostra que o antigo executivo votou contra a própria destituição e argumentou que os conselheiros não teriam recebido informações suficientes para tomar uma decisão devidamente fundamentada.

Mudança acontece durante processo na CVM

A troca no comando ocorre enquanto a Comissão de Valores Mobiliários analisa um caso envolvendo uma suposta proposta de aquisição da PDG pela companhia chinesa Sun Hung Kai Properties.

Em fevereiro de 2025, a incorporadora informou ao mercado ter recebido uma oferta de US$ 29,6 milhões pela totalidade de suas ações. Posteriormente, a empresa chinesa negou ter apresentado qualquer proposta.

A divulgação provocou aumento expressivo das negociações com os papéis da PDG e levantou suspeitas sobre uma possível manipulação de mercado.

A CVM abriu um processo administrativo para apurar o episódio e incluiu Tiso, que ocupava os cargos de presidente e diretor de relações com investidores, em investigação sobre eventual divulgação de informações falsas.

O processo ainda precisa ser concluído, e a existência da apuração não representa uma condenação automática dos envolvidos.

PDG ainda busca recuperação operacional

A incorporadora encerrou sua recuperação judicial em 2021, mas continua enfrentando dificuldades para restabelecer o ritmo de lançamentos e reconstruir a confiança de consumidores e credores.

No primeiro trimestre de 2026, a PDG registrou receita líquida de R$ 6,8 milhões, queda de 73% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A companhia também apresentou prejuízo de R$ 8 milhões nos três primeiros meses do ano.

A alavancagem total, considerando dívidas concursais, obrigações extraconcursais e custos ainda necessários para concluir projetos, alcançou R$ 1,51 bilhão no período.

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