Os preços internacionais do petróleo registraram forte desvalorização nesta quarta-feira (24), ampliando as perdas das sessões anteriores à medida que diminuíram os temores de gargalos no fornecimento global. O principal catalisador para o alívio dos prêmios de risco geopolítico foi o avanço diplomático envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais do planeta para o escoamento de commodities energéticas.
Os contratos futuros do petróleo Brent — referência global de preços — para entrega em agosto fecharam em queda acentuada de 3,05%, cotados a US$ 74,73 o barril. O recuo levou a commodity ao seu nível de preço mais baixo desde o período anterior aos ataques aéreos coordenados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã, ocorridos em 28 de fevereiro. Na mesma linha, os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA, também para vencimento em agosto, operaram em baixa de aproximadamente 3%, precificados a US$ 71,02 o barril.
A derrocada nos preços do barril de petróleo bruto desencadeou uma reação política imediata em Washington. O presidente norte-americano, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para criticar as grandes corporações do setor, acusando-as de reter as margens de lucro em vez de repassar a desvalorização da matéria-prima para o preço final pago pelos motoristas.
“As grandes empresas de petróleo não estão baixando os preços nas bombas de forma proporcional aos preços muito mais baixos que pagam pelo petróleo. Esses preços estão despencando! Em outras palavras, os consumidores estão sendo explorados. Instruí o Departamento de Justiça a começar a investigar isso imediatamente. É bom que os preços da gasolina comecem a cair muito mais rápido do que estou vendo!”, publicou Trump em sua plataforma, a Truth Social.
Apesar da forte retórica presidencial, especialistas em infraestrutura energética ponderam que a formação de preços de combustíveis de varejo segue uma dinâmica técnica rígida. Karen Young, pesquisadora sênior do Centro de Política Energética Global da Universidade de Columbia, classificou a manifestação do mandatário como “teatro político”, lembrando que as bombas de combustível nos EUA sofrem incidência direta de pesados impostos estaduais e locais. Young pontuou ainda o descasamento temporal inerente à cadeia de refino: leva algumas semanas para que a queda do petróleo bruto seja processada pelas refinarias e repassada pelos distribuidores até que o consumidor final perceba o alívio financeiro na ponta.
No front geopolítico, o mercado reagiu positivamente ao anúncio de que o tráfego marítimo no Golfo Pérsico deve começar a ser normalizado após meses de forte tensão. A Organização Marítima Internacional (IMO), agência especializada da ONU, confirmou que mais de 11 mil tripulantes e marítimos que estavam retidos na região receberam garantias internacionais de segurança para iniciar a evacuação de seus navios através do Estreito de Ormuz.
O Secretário-Geral da IMO, Arsenio Dominguez, reiterou em nota oficial que as condições operacionais para uma navegação segura foram minuciosamente verificadas, fruto de um arranjo diplomático direto com o Irã, Omã, os Estados Unidos e representantes do setor de transportes.
Embora a notícia represente uma vitória para a estabilização logística, a normalização completa do comércio global demandará tempo. Aditi Rasquinha, CEO da DHL Global Forwarding para a Grande China, ressaltou que o bloqueio prolongado no estreito gerou pressões em cascata sobre as cadeias de suprimentos de longo curso, forçando o desvio de cargas para modais de trânsito mais demorados ou sobrecarregando a capacidade do transporte aéreo global. De acordo com a executiva, a abertura de Ormuz estanca o agravamento da crise, mas a reacomodação completa dos fluxos de frete globais ocorrerá de maneira gradual nas próximas semanas.
