O mercado global de energia entrou em estado de alerta máximo nesta terça-feira (3), com os preços do petróleo disparando após a intensificação do conflito militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
O barril do Brent, referência mundial, rompeu a barreira dos US$ 82, atingindo o patamar mais elevado desde janeiro de 2025. A escalada ocorre em meio a ameaças de fechamento total do Estreito de Ormuz por Teerã e ataques diretos à infraestrutura petrolífera no Oriente Médio, incluindo um incêndio em um centro de armazenamento nos Emirados Árabes Unidos e a interrupção de operações da Saudi Aramco.
O cenário de instabilidade foi agravado por declarações agressivas de ambos os lados. Enquanto o governo de Donald Trump sinaliza que fará “o que for necessário” para atingir seus objetivos militares — com o Secretário de Estado, Marco Rubio, focando na destruição da capacidade naval e de mísseis iraniana —, o Irã prometeu incendiar qualquer embarcação que tente cruzar o Estreito de Ormuz. A passagem é considerada a “jugular” do comércio energético global, sendo responsável pelo escoamento de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo.
Os efeitos práticos da guerra já são sentidos nas cadeias de suprimento e nos custos logísticos. O tráfego de petroleiros pela região está praticamente paralisado, e o custo do frete marítimo entre o Oriente Médio e a China atingiu níveis recordes, chegando a US$ 424 mil por dia.
Além do petróleo bruto, os preços do diesel e do gás natural apresentam altas ainda mais expressivas, o que acende o sinal amarelo para uma possível nova onda inflacionária global. A China, maior importadora da commodity, já se manifestou publicamente pedindo a cessação imediata das hostilidades para garantir a segurança da navegação.
No campo diplomático e estratégico, a tensão não dá sinais de arrefecimento. O governo americano indicou apoio a uma mudança de regime em Teerã, enquanto o Irã afirma que seu alvo principal são as tropas dos EUA estacionadas na região.
