O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que não vê rivalidade entre o Pix e os cartões de crédito. A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, em meio à pressão do governo dos Estados Unidos sobre o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.
Segundo Galípolo, o Pix ampliou a entrada de brasileiros no sistema financeiro e, com isso, também ajudou a impulsionar o uso de outros produtos bancários, incluindo cartões de crédito.
“O PIX incluiu pessoas que estavam à margem do sistema, que passaram a ter cartão de crédito. Pessoas imaginam que tem rivalidade entre o PIX e o cartão de crédito, mas a gente observa que não, que o cartão de crédito cresceu com a bancarização”, declarou o presidente do BC.
Pix entrou na mira dos Estados Unidos
A fala ocorre depois de o Pix aparecer em discussões comerciais nos Estados Unidos. Em julho de 2025, o sistema brasileiro de pagamento instantâneo entrou na mira do governo americano durante uma investigação aberta a pedido do presidente Donald Trump.
O processo não citou o Pix diretamente no documento inicial, mas mencionou práticas relacionadas a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo serviços oferecidos pelo Estado brasileiro.
Na avaliação do governo americano, o Brasil poderia favorecer soluções de pagamento desenvolvidas pelo setor público. O argumento também apareceu em relatório divulgado pela Casa Branca em abril de 2026, que voltou a tratar o Pix como um sistema que poderia prejudicar empresas americanas de pagamentos eletrônicos.
Entre as companhias potencialmente afetadas estão gigantes como Visa e Mastercard, que atuam no mercado de cartões.
Banco Central nega favorecimento contra cartões
Galípolo procurou afastar a leitura de que o Pix teria crescido em oposição aos cartões. Para o presidente do BC, o sistema instantâneo abriu portas para consumidores antes pouco integrados ao sistema bancário.
Essa bancarização ampliou o acesso a contas, movimentações digitais e produtos financeiros. Na prática, segundo ele, o crescimento do Pix não reduziu o espaço dos cartões. Ao contrário, ajudou a aumentar a base de usuários que também passaram a utilizar crédito.
A explicação é importante porque o avanço do Pix mudou rapidamente o mercado de pagamentos no Brasil. Lançado pelo Banco Central, o sistema permite transferências e pagamentos em tempo real, todos os dias, a qualquer horário. A adesão acelerada fez com que ele se tornasse uma das principais formas de pagamento do país.
Por que o Pix incomoda empresas americanas
O incômodo nos Estados Unidos está ligado ao peso crescente do Pix no mercado brasileiro. Como o sistema foi criado e é regulado pelo Banco Central, empresas privadas de pagamento alegam preocupação com possível tratamento preferencial.
O relatório citado pelo governo americano afirmou que partes interessadas dos EUA temem que o Banco Central favoreça o Pix, prejudicando fornecedores americanos de serviços de pagamentos eletrônicos. O documento também destaca que o uso do Pix é obrigatório para instituições com mais de 500 mil contas.
Na visão do Banco Central, porém, a ferramenta tem papel público de inclusão financeira e modernização dos pagamentos. O argumento de Galípolo vai nessa direção: o Pix teria ampliado o mercado, não apenas deslocado competidores.
