O Portal de Compras Públicas movimenta cerca de R$ 530 bilhões por ano em valores transacionados, mas ainda captura uma fração pequena desse volume em receita. Agora, a govtech quer ampliar a monetização com uma nova frente: crédito para fornecedores que vendem ao setor público.
A empresa construiu sua base conectando compradores públicos, como prefeituras, órgãos estaduais, consórcios e entidades do Sistema S, a fornecedores interessados em participar de licitações. O modelo ganhou escala nos últimos anos e hoje reúne mais de 700 mil fornecedores cadastrados.
Apesar do volume, a plataforma não cobra dos entes públicos. A receita vem das empresas que querem vender para o governo, especialmente por serviços adicionais ligados a inteligência competitiva, gestão documental, educação e, agora, antecipação de recebíveis.
Plataforma cresceu mais de cinco vezes em três anos
Desde 2023, o Portal de Compras Públicas ampliou sua presença no mercado de licitações. O volume transacionado cresceu mais de cinco vezes, enquanto o faturamento aumentou quase 250% no período.
Entre os municípios, a plataforma já alcança mais de 80% de penetração. No mercado total de compras públicas do país, responde por pouco mais de 10% do volume financeiro e mais de 15% do volume operacional.
A maior fatia ainda está com o Comprasgov, plataforma federal que concentra cerca de 60% do mercado. Fora esse recorte, o Portal afirma ter mais de 25% do mercado atingível.
Nova fase mira fornecedores
Depois de ganhar escala, a empresa entra em uma segunda fase da estratégia. O foco passa a ser aumentar a receita por fornecedor.
Uma das frentes é o plano VIP, que oferece uma camada de inteligência competitiva construída com dados públicos de licitações. A proposta é ajudar empresas a entender melhor concorrentes, editais, preços e oportunidades de venda para o setor público.
Outra frente é o marketplace. Uma mudança na legislação criou a chamada compra expressa, permitindo que fornecedores cadastrem produtos em um catálogo com preços pré-definidos. Em vez de o comprador público descrever uma demanda e aguardar propostas, ele pode adquirir itens já organizados na plataforma.
O sistema integra ferramentas de frete, cota a logística automaticamente e inclui garantia de pagamento via escrow, em prazos de D+1 ou D+30. Segundo a empresa, essa é a primeira entrada direta na intermediação financeira do processo.
A expectativa é que o novo modelo represente pelo menos 5% do volume da plataforma em 12 meses.
Crédito vira principal aposta
A maior oportunidade, porém, está na antecipação de recebíveis. A ideia é usar valores que fornecedores têm a receber de órgãos públicos como lastro para crédito.
A dor é conhecida no setor. Empresas que vencem processos de venda para o governo podem levar 90 dias ou mais para receber. Em muitos casos, a falta de capital de giro impede fornecedores de disputar novos contratos ou entregar pedidos maiores.
A govtech não pretende virar uma fintech tradicional. O plano é criar um marketplace de crédito dentro da própria plataforma, conectando fornecedores a fundos e instituições interessadas em financiar esses recebíveis.
O piloto já roda com o FIDC da Cedro, fundo ligado à Cedro Capital, que investiu na empresa em 2019. A ideia é abrir o ambiente para outros fundos, aumentar a concorrência entre financiadores e reduzir a taxa paga pelos fornecedores.
A projeção é atuar sobre 9% a 10% do volume geral de vendas. Nesse cenário, a empresa estima que poderia mais do que dobrar o faturamento.
