Preço do petróleo avança com tensão geopolítica e já sobe 40%

O alívio temporário nos preços do petróleo durou pouco. Nesta terça-feira (17), a commodity retomou a trajetória de alta após novos ataques iranianos aos Emirados Árabes Unidos reacenderem o temor de uma crise prolongada na oferta global. Por volta das 9h, o Brent (referência internacional) avançava 3,35%, cotado a US$ 103,62, enquanto o WTI (referência americana) subia 4,21%, atingindo US$ 96,25.

A escalada ocorre após um terceiro ataque em apenas quatro dias interromper parcialmente o carregamento no porto de Fujairah, onde um incêndio atingiu o terminal de exportação. Além disso, a suspensão das operações no campo de gás Shah amplia o impacto sobre o fluxo energético da região.

Embora o pregão anterior tenha registrado queda — impulsionada pela notícia de que algumas embarcações conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz —, a rota permanece parcialmente bloqueada.

Sem sinais de negociação diplomática entre Irã e Estados Unidos, a volatilidade segue elevada. Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, o petróleo já acumula uma valorização superior a 42%, tendo flertado com a marca de US$ 120 por barril nas semanas anteriores.

A relevância da região para os preços globais reside na geografia. O Estreito de Ormuz é o ponto de passagem mais importante do mundo para o escoamento de petróleo, conectando os produtores do Golfo Pérsico aos mercados globais. Por ali passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo líquido e um terço do gás natural liquefeito (GNL) global. Com apenas 33 km de largura em seu ponto mais estreito, qualquer bloqueio ou ataque na região gera um efeito cascata imediato nos custos de frete, seguros marítimos e, consequentemente, no preço final do combustível nas bombas.

A alta do petróleo Brent para o patamar de US$ 103,62, impulsionada pelos ataques no Oriente Médio, coloca a economia brasileira em uma posição de “faca de dois gumes”. Como exportador líquido de petróleo, o Brasil se beneficia do aumento na arrecadação, mas o impacto no custo de vida é imediato e desafiador.

Se o conflito no Estreito de Ormuz se prolongar, o Banco Central poderá ser forçado a interromper o ciclo de queda da Selic para segurar as expectativas de inflação, o que encareceria o crédito e poderia esfriar o crescimento do PIB, atualmente projetado em 2,3% para este ano.

Segundo dados da Abicom desta segunda-feira (16), a defasagem no preço do diesel nos polos da Petrobras chegou a 60% em relação ao mercado internacional, mesmo após um reajuste na última sexta-feira (13).

Com o Brent acima de US$ 100, a estatal enfrenta uma pressão crescente para novos aumentos, sob risco de comprometer sua capacidade de importação e sua saúde financeira. A gestão de transição na Fazenda, com a saída de Haddad e a provável entrada de Dario Durigan, deve focar na blindagem fiscal, o que pode significar menos espaço para segurar preços artificialmente por muito tempo.

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