Preço do petróleo recua 5% com cenário geopolítico

Os preços do petróleo registraram uma queda acentuada nesta segunda-feira (2), impulsionados por um alívio nas tensões geopolíticas globais e pela perspectiva de maior estabilidade na oferta.

O contrato do petróleo WTI para março recuou 4,71%, encerrando o dia a US$ 62,14 o barril na Nymex, enquanto o Brent para abril caiu 4,36%, cotado a US$ 66,30 o barril na ICE de Londres. O movimento foi reforçado pela valorização do dólar e pela decisão da Opep+ de manter os atuais níveis de produção, sem novos cortes.

O principal vetor de queda foi a sinalização de um possível degelo diplomático entre Estados Unidos e Irã. O presidente Donald Trump afirmou que ambos os países estão em “conversas sérias” para retomar o acordo nuclear.

Em resposta, Teerã suspendeu exercícios militares previstos para o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais vitais para o escoamento global de energia. Um encontro entre representantes das duas nações está agendado para esta sexta-feira, na Turquia, o que reduziu o prêmio de risco que sustentava os preços elevados da commodity.

Além do cenário no Oriente Médio, as negociações por um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia avançaram, diminuindo a incerteza no Leste Europeu. Em um movimento estratégico de mercado, Trump anunciou que a Índia concordou em interromper a compra de óleo russo, optando por ampliar a importação de energia dos Estados Unidos e, possivelmente, da Venezuela. Essa reorganização do fluxo comercial de energia contribui para uma percepção de oferta mais robusta vinda das Américas.

Analistas de mercado, como os da consultoria Tradu, alertam que a tendência de baixa pode persistir à medida que os fundamentos de oferta e demanda voltam ao centro das atenções.

Com a redução dos conflitos, o foco do mercado se desloca para o fato de que a produção global está crescendo em ritmo superior ao consumo. Nem mesmo os dados positivos da atividade industrial nos EUA e na China, ou a recente tempestade de inverno em solo americano — que não gerou os apagões sistêmicos temidos —, foram suficientes para conter a desvalorização do barril nesta sessão.

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