Preço de medicamentos volta a subir em fevereiro

Alta interrompe sequência de nove meses de queda

Os preços de medicamentos negociados entre fornecedores e hospitais no Brasil registraram alta de 0,12% em fevereiro de 2026, segundo o Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

O resultado interrompe uma sequência de nove meses consecutivos de queda, marcando uma inflexão no comportamento recente dos preços. Apesar disso, o movimento ainda é considerado moderado e não altera significativamente a tendência de estabilidade observada ao longo dos últimos meses.

No acumulado de 12 meses até fevereiro, o índice ainda apresenta recuo de 1,96%, enquanto no primeiro bimestre de 2026 a queda chega a 0,58%, indicando que o cenário geral segue de acomodação.

Pressões externas e câmbio influenciam custos

A leve alta ocorre em um contexto de pressão sobre cadeias globais de insumos farmacêuticos, especialmente diante das tensões no Oriente Médio. A região é estratégica para o transporte de petróleo, insumo essencial para a indústria química e farmacêutica.

Grande parte dos insumos farmacêuticos ativos utilizados no Brasil é importada, principalmente de países como China e Índia, o que torna o setor sensível a variações cambiais e a custos logísticos internacionais.

Especialistas apontam que o principal impacto no curto prazo não é a falta de medicamentos, mas a perda de previsibilidade nos preços, com aumento da pressão em negociações entre hospitais, distribuidores e fornecedores.

Itens de uso contínuo e de alto volume, como antibióticos, analgésicos e insumos hospitalares, estão entre os mais sensíveis a essas variações, devido à forte dependência de cadeias globais de produção.

Desde o início da série histórica do índice, em 2015, os preços acumulam alta de 45,5%, evidenciando uma pressão estrutural sobre os custos do setor, que vai além de fatores conjunturais.

O cenário indica que, embora a alta de fevereiro seja pontual, o mercado de medicamentos seguirá influenciado por fatores externos, câmbio e dinâmica global de insumos nos próximos meses.

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