Os preços internacionais do petróleo registraram forte volatilidade e operaram em torno das mínimas de uma semana nesta segunda-feira (27), pressionados pela interrupção temporária dos bombardeios entre Estados Unidos e Irã. A trégua nos ataques, ocorrida após duas semanas de intensas ofensivas militares, renovou as esperanças de um avanço diplomático capaz de desacelerar o conflito no Oriente Médio e normalizar o tráfego de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
No mercado futuro, os contratos do petróleo Brent com vencimento próximo despencaram US$ 5,85, ou cerca de 6%, cotados a US$ 90,93 o barril na Intercontinental Exchange (ICE). Durante os momentos de maior pressão vendedora no início da sessão, a commodity chegou a recuar 9,5%, atingindo a mínima de US$ 87,55. Paralelamente, o barril do West Texas Intermediate (WTI) negociado em Nova York caiu US$ 4,98, ou 5,6%, para US$ 84,33, após ter tocado a marca de US$ 82,12.
As cotações das duas referências globais atingiram, nas primeiras horas do pregão, os menores patamares registrados desde 20 de julho. O movimento de liquidação de posições ocorreu após uma escalada recente que havia levado o preço do Brent a ultrapassar a marca simbólica de US$ 100 por barril, impulsionado pelos temores de desabastecimento global com o bloqueio parcial das rotas de navegação do Oriente Médio para a Ásia.
A inflexão no sentimento dos investidores foi deflagrada após declarações do embaixador dos Estados Unidos na ONU, Mike Waltz, confirmando que o presidente Donald Trump ordenou a suspensão dos ataques para priorizar negociações diplomáticas. A sinalização de abertura de um canal de diálogo aliviou o prêmio de risco geopolítico que vinha inflacionando as cotações das commodities energéticas ao longo das últimas semanas.
Contudo, os contratos futuros reduziram parte das perdas ao longo do dia com o surgimento de novos focos de tensão na região. A contenção das quedas ocorreu após a defesa aérea da Arábia Saudita interceptar e destruir drones lançados a partir do Iraque com destino a instalações petrolíferas na Província Oriental do reino, evento que levou o Ministério das Relações Exteriores saudita a afirmar publicamente o direito de responder às agressões.
A instabilidade operacional também se estendeu ao Mar Vermelho, onde os rebeldes houthis do Iêmen, alinhados ao governo iraniano, reivindicaram autoria sobre ataques direcionados a infraestruturas logísticas que conectam o leste saudita à cidade portuária de Yanbu. A ofensiva reduziu o tráfego de embarcações pelo estreito de Bab el-Mandeb, embora superpetroleiros de bandeira chinesa tenham mantido a navegação pelo canal marítimo sob rigorosos protocolos de segurança.
A volatilidade no lado da oferta ganhou contornos adicionais com desdobramentos operacionais fora do eixo do Oriente Médio. O Cazaquistão, figurante entre os dez maiores produtores globais de petróleo, viu sua produção diária ser reduzida pela metade após o fechamento temporário do principal terminal de exportação no Mar Negro, localizado em território russo, decorrente de um ataque promovido por drones na região.
Apesar da paralisação inicial na infraestrutura do Consórcio do Oleoduto do Cáspio (CPC), o Ministério da Energia cazaque informou no final do dia que as operações de carregamento de petróleo no terminal marítimo foram restabelecidas. A rápida retomada das atividades ajudou a conter repiques mais agressivos nos preços do barril, mantendo o mercado de energia atento aos frágeis equilíbrios geopolíticos globais.









