O Tesouro Nacional inaugurou sua agenda de captações externas em 2026 com uma operação histórica. Na segunda-feira (6), o governo brasileiro levantou US$ 4,5 bilhões no mercado internacional de dívida, registrando um volume recorde de demanda e condições de custo favoráveis que sinalizam uma melhora na percepção de risco do país pelos investidores estrangeiros.
A operação foi dividida em dois tranches estratégicos. O maior destaque foi a emissão do novo título de 10 anos (Global 2036), que captou US$ 3,5 bilhões — o maior montante já registrado pelo Tesouro para um papel com este prazo de vencimento.
O título foi lançado com uma taxa de retorno ao investidor de 6,400% ao ano. Simultaneamente, o governo ampliou em US$ 1 bilhão o bônus com vencimento em 2056 (Global 2056), alcançando um spread (diferença de juros em relação aos títulos americanos) de 245 pontos-base, o menor patamar para um título de 30 anos em mais de uma década.
A recepção do mercado foi robusta, com a demanda total atingindo o pico de US$ 12 bilhões, o que representa uma procura quase três vezes superior ao volume ofertado.
Cerca de 90% dos compradores são investidores da América do Norte e da Europa, reforçando a confiança internacional na solvência brasileira. Segundo o Tesouro, o sucesso da emissão ajuda a alongar o perfil da dívida pública e serve como uma referência de preço importante para empresas brasileiras que pretendem buscar financiamento no exterior.
Esta captação, liderada pelos bancos HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo, ocorre meses após a última incursão do Brasil no mercado externo, realizada em novembro passado com foco em títulos sustentáveis.
Para o Ministério da Fazenda, os resultados obtidos nesta segunda-feira evidenciam a credibilidade da política econômica e a atratividade da dívida soberana no cenário global atual. A liquidação financeira da operação está agendada para o dia 19 de fevereiro.
