Primus levanta R$ 60 milhões e prepara aportes em 20 startups do Sul

A Primus Ventures está pronta para iniciar os investimentos do Sul Ventures, fundo criado para apoiar startups da Região Sul do Brasil. A gestora já captou R$ 60 milhões e pretende alcançar R$ 100 milhões para investir em aproximadamente 20 empresas ao longo dos próximos quatro anos.

Os primeiros aportes já passaram pelo comitê de investimentos e devem ser concluídos em breve. A estratégia concentra-se em startups B2B, que vendem produtos ou serviços para outras empresas, nos estágios pré-seed e seed.

Os cheques iniciais ficarão entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões, com possibilidade de alcançar R$ 10 milhões por startup em rodadas posteriores. O fundo poderá acompanhar as empresas que apresentarem evolução e necessidade de capital adicional.

A tese regional contempla negócios do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo a Primus, a proximidade com os empreendedores permitirá acompanhar mais de perto decisões relacionadas a produto, contratação, vendas e governança.

“Nosso diferencial está na Região Sul. Conhecemos muito bem o mercado, conseguimos identificar boas oportunidades e permanecemos próximos dos empreendedores”, afirma José Augusto Albino, sócio-fundador e diretor da Primus Ventures.

Gestora mudou de nome para reforçar tese regional

A Primus Ventures era conhecida como Catarina Capital até abril de 2025. A mudança de nome buscou refletir uma atuação que já não estava restrita a Santa Catarina e passou a abranger os três estados do Sul.

A gestora foi fundada em 2019 por Adonay Freitas, José Augusto Albino, Renata Buss e Raul Daitx. Os sócios já haviam trabalhado juntos no Cventures Primus, fundo lançado em 2013 pela Fundação Certi.

O Sul Ventures começou oficialmente a operar em janeiro de 2026. Embora a captação continue aberta, o capital já comprometido permite que a equipe avance com os primeiros investimentos.

O fundo não definiu setores obrigatórios. A preferência é manter uma abordagem agnóstica dentro do mercado B2B, preservando espaço para áreas que possam ganhar relevância nos próximos anos.

“Hoje pode ser inteligência artificial. Amanhã pode surgir outra grande tendência. Gostamos de ser surpreendidos por empreendedores trazendo oportunidades que ainda nem imaginávamos”, diz Albino.

Histórico inclui Asaas, Exact Sales e Hiper

O desempenho de investimentos anteriores ajudou a Primus a atrair recursos para o novo fundo.

A gestora administra uma estrutura anterior de R$ 83 milhões, que investiu em empresas como Asaas, Exact Sales, Hiper e Checkplant. Segundo Albino, o retorno atual está próximo de 4,8 vezes o capital investido.

O resultado colocou o fundo entre os de melhor desempenho de sua categoria, de acordo com a avaliação da própria gestora. Parte relevante dos investidores decidiu participar novamente da estratégia por causa desse histórico.

O portfólio anterior reuniu 15 empresas. No Sul Ventures, a Primus pretende aumentar o número para aproximadamente 20, mantendo uma quantidade considerada enxuta para os padrões do mercado.

A intenção é evitar uma pulverização excessiva dos recursos e preservar a capacidade de apoiar cada startup durante os primeiros anos de crescimento.

“Nosso objetivo não é apenas investir. É investir bem, devolver capital aos nossos investidores e construir novos fundos”, afirma o sócio.

Metade do capital vem de investidores da Região Sul

Aproximadamente metade do dinheiro captado pelo Sul Ventures veio de pessoas físicas e family offices ligados à Região Sul.

A outra metade foi aportada por investidores institucionais, entre eles o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, o BRDE, o Badesul e a Fomento Paraná.

A composição reforça a tese de utilizar capital regional para desenvolver empresas locais. Além dos recursos financeiros, esses investidores podem contribuir com conexões empresariais, conhecimento setorial e acesso a potenciais clientes.

Para startups B2B, essa rede tem relevância porque a venda para grandes empresas costuma exigir ciclos comerciais mais longos, validação técnica e relacionamento com tomadores de decisão.

O fundo pretende atuar não apenas na transferência de capital, mas também na estruturação de estratégias comerciais e na preparação das startups para futuras rodadas.

Empreendedores chegam mais preparados

Na avaliação da Primus, o ecossistema regional amadureceu nos últimos anos. Uma das mudanças está no crescimento do número de empreendedores que já participaram da criação, expansão ou venda de uma startup.

Conhecidos como second-time founders, esses profissionais iniciam um novo negócio levando experiências acumuladas sobre produto, formação de equipes, captação e relacionamento com investidores.

O mercado também passou a contar com executivos que acompanharam empresas como RD Station e Pipefy desde estruturas pequenas até operações com centenas de funcionários.

“Hoje é possível contratar pessoas que viveram esse crescimento. Elas chegam muito mais preparadas”, afirma Albino.

Essa experiência pode reduzir erros comuns das empresas em estágio inicial, principalmente em decisões sobre estrutura organizacional, indicadores, vendas e contratação de lideranças.

A maior disciplina financeira também passou a pesar nas análises. Depois de anos marcados por capital abundante e crescimento acelerado, investidores voltaram a priorizar negócios com caminhos mais claros para geração de receita e sustentabilidade financeira.

Cheques poderão chegar a R$ 10 milhões

Os primeiros aportes do Sul Ventures serão realizados em startups que ainda estejam validando ou começando a escalar seus produtos.

O valor inicial varia entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões. Conforme a evolução do negócio, o fundo poderá realizar novos investimentos, levando o total aplicado a até R$ 10 milhões por empresa.

Essa reserva para follow-ons permite que a Primus mantenha sua participação nas startups que avançarem para rodadas maiores. Também reduz a necessidade de os fundadores encontrarem imediatamente um novo investidor para financiar cada etapa do crescimento.

A escolha por empresas B2B está ligada à experiência da equipe. Os sócios consideram que conseguem contribuir mais em negócios que vendem tecnologia e soluções para outras organizações.

Esse modelo exige domínio sobre formação de equipes comerciais, definição de preços, retenção de clientes e construção de receitas recorrentes.

Primus também estrutura investimentos em empresas maduras

Além do fundo early stage, a gestora atua em negócios mais avançados por meio de club deals.

Nesse modelo, cada investimento é montado individualmente com family offices, fundos de fundos e outros parceiros. Não existe um veículo fixo com regras únicas para todas as operações.

A estrutura oferece flexibilidade para participar de rodadas lideradas por fundos nacionais ou estrangeiros, comprar participações de investidores antigos e reorganizar a composição acionária das startups.

“Quando montamos um club deal, temos flexibilidade de tese, uso do dinheiro e tamanho do cheque. Isso permite fazer operações diferentes daquelas que um fundo tradicional consegue realizar”, explica Albino.

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