A produção industrial brasileira recuou em fevereiro, contrariando as expectativas e marcando o quinto mês consecutivo sem crescimento, em um cenário de juros elevados que restringem a atividade econômica.
Segundo dados divulgados nesta quarta-feira (2) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção registrou queda de 0,1% em relação a janeiro. Na comparação anual, porém, houve alta de 1,5%.
Os números de fevereiro frustraram as projeções do mercado. Pesquisa da Reuters apontava expectativa de alta de 0,4% na comparação mensal e de 2,1% no acumulado de 12 meses, mas o setor recuou 0,1% no mês e avançou apenas 1,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“O desempenho negativo da indústria em fevereiro reforça a tendência de menor intensidade da produção nos últimos meses. Já são cinco meses sem crescimento, com perda acumulada de 1,3% nesse período, eliminando o avanço de 1% registrado entre agosto e setembro de 2024”, afirmou André Macedo, gerente da pesquisa no IBGE.
Economistas projetam uma desaceleração do setor industrial ao longo de 2025, refletindo o arrefecimento gradual da economia brasileira. O cenário segue desafiador, com juros elevados por um período prolongado, além da pressão da taxa de câmbio e da inflação.
O Banco Central manteve o ritmo já esperado de aperto monetário, elevando a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 14,25% ao ano. A autoridade monetária também sinalizou um ajuste de menor intensidade na reunião prevista para maio.
Os dados da pesquisa industrial indicaram uma disseminação das quedas entre os setores em fevereiro. Na comparação com janeiro, as principais retrações foram registradas nos segmentos de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-12,3%), máquinas e equipamentos (-2,7%), produtos de madeira (-8,6%) e produtos diversos (-5,9%). Também tiveram desempenho negativo os setores de veículos automotores, reboques e carrocerias (-0,7%), máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-1,4%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-1,5%) e móveis (-2,1%).
Entre as categorias econômicas, a fabricação de Bens de Consumo recuou 1,3%, sendo que somente a de Bens de Consumo Duráveis apresentou queda de 3,2%. Os Bens de Consumo Semi e não Duráveis caíram 0,8%. Por outro lado, as indústrias de Bens de Capital e de Bens Intermediários apresentaram aumentos de 0,8% cada na produção.
*Com informações do Money Times