Projeção de IPCA para 2026 sobe de 4,17% para 4,31%, abaixo do teto da meta

As expectativas de inflação para 2026 voltaram a subir, impulsionadas pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio e pela consequente alta nos preços do petróleo no mercado internacional. Segundo o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (30), a mediana das projeções para o IPCA de 2026 avançou de 4,17% para 4,31%, marcando a terceira semana consecutiva de alta.

O movimento aproxima o índice do teto da meta estabelecida, de 4,50%, evidenciando uma pressão crescente sobre os preços domésticos. Para 2027, o mercado também revisou sua estimativa para cima, de 3,80% para 3,84%, refletindo o desconforto dos analistas com o horizonte inflacionário sob o novo regime de metas contínuas iniciado em 2025.

Diante desse quadro de incertezas, as projeções para a taxa Selic ao final de 2026 estabilizaram-se em 12,50% após um ciclo de revisões para cima. O mercado recalibra o fôlego para novos cortes de juros, especialmente após a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica de 15% para 14,75% — o primeiro corte em quase dois anos.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou a postura de cautela, destacando que o “conservadorismo” da autoridade monetária em 2025 é estratégico para ganhar tempo e analisar os efeitos da volatilidade das commodities. Para os anos seguintes, a trajetória de queda dos juros parece mais lenta: a projeção para 2029 subiu de 9,50% para 9,75%, enquanto 2027 e 2028 seguem estacionados em 10,50% e 10,0%, respectivamente.

No câmbio, as previsões para o dólar demonstraram resiliência, mantendo-se em R$ 5,40 para o fim de 2026 e R$ 5,45 para 2027, apesar do cenário externo conturbado. O mercado parece ter consolidado essas marcas após as oscilações registradas no mês anterior. Já no campo da atividade econômica, o otimismo do setor privado supera a visão oficial.

A projeção para o crescimento do PIB de 2026 teve uma leve oscilação positiva, passando de 1,84% para 1,85% — patamar superior ao avanço de 1,6% previsto pelo Banco Central no último Relatório de Política Monetária (RPM). Para 2027, a estimativa de crescimento permanece inalterada em 1,80%, consolidando uma percepção de ritmo moderado para a economia brasileira nos próximos anos.

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