A Prolata Reciclagem vem ampliando sua atuação junto a cooperativas de reciclagem por meio de parcerias com empresas e redes varejistas. A associação sem fins lucrativos atua como entidade gestora da logística reversa de latas de aço pós-consumo, processo que organiza o retorno das embalagens descartadas para reciclagem.
A estratégia busca fortalecer a cadeia da reciclagem, melhorar a estrutura das cooperativas e ampliar o impacto social sobre catadores e catadoras. Na prática, o apoio envolve desde capacitações e doação de equipamentos de proteção até melhorias operacionais, adequação ambiental e conexão com empresas compradoras de material reciclável.
Entre os parceiros está a Gerdau, maior produtora brasileira de aço. A companhia integra cooperativas à sua cadeia de suprimentos e, em alguns casos, reduz a presença de intermediários, o que pode aumentar a rentabilidade das organizações de catadores.
Recentemente, a Gerdau também viabilizou, em parceria com a Prolata, serviços para cooperativas no Rio Grande do Sul, com foco na manutenção de licenças ambientais. A atuação inclui ainda melhorias estruturais, renovação de planos de gestão e doação de EPIs.
Varejo também entra na logística reversa
Outro exemplo de parceria é a rede Baratão das Tintas, localizada na Baixada Santista. Parceira da Prolata desde 2019, a empresa conta com 29 lojas que funcionam como pontos de recebimento de latas de aço pós-consumo.
Nesses locais, consumidores podem descartar as embalagens, que depois são encaminhadas às cooperativas mais próximas. O modelo contribui para o descarte correto, melhora a rastreabilidade dos materiais e aproxima o varejo da cadeia de reciclagem.
A logística reversa é uma exigência prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Ela determina que empresas e setores organizem formas de recolher, reaproveitar ou destinar corretamente produtos e embalagens após o consumo.
Liderança feminina ganha destaque nas cooperativas
Além das parcerias empresariais, a Prolata destaca o papel de lideranças femininas em cooperativas de diferentes regiões do país. Em Brasília, Mônica Licassali, da Recicle a Vida, afirma que o apoio da Prolata tem sido importante para a estruturação da organização e da Central Nacional ao longo de mais de dez anos.
“Esse apoio acontece por meio de ações voltadas à melhoria da estrutura operacional, capacitações e fornecimento de EPIs, contribuindo diretamente para mais segurança, organização e valorização do trabalho realizado pelos catadores e catadoras”, afirma Mônica.
Segundo ela, a presença de mulheres na liderança do cooperativismo ajuda a combinar organização, compromisso social e sensibilidade na gestão das equipes.
Em Fortaleza, Janete Cabral, presidente da Socrelp, associação de catadores mais antiga da capital cearense, também destaca avanços obtidos com a parceria. Entre as conquistas citadas estão treinamentos, oficinas, palestras, suporte financeiro em momentos de dificuldade, envelopamento de caminhão, construção de galpão e aquisição de novos veículos.
“Me sinto realizada pelas conquistas, mas sigo em busca de melhorias também no reconhecimento e valorização do trabalho dos catadores e catadoras”, afirma Janete.
