Quase metade dos brasileiros buscou renda alternativa nos últimos meses, aponta Datafolha

Um levantamento recente do Datafolha revela um cenário alarmante sobre a saúde financeira das famílias no Brasil, apontando que 45% dos brasileiros buscaram fontes alternativas de renda nos últimos meses.

O estudo destaca que a renda familiar é insuficiente para 59% da população, enquanto quatro em cada dez entrevistados relataram uma redução efetiva em seus ganhos recentemente. Esse movimento de busca por atividades paralelas ocorre mesmo em um cenário de mercado de trabalho aquecido, evidenciando que os salários atuais não têm sido capazes de sustentar o custo de vida crescente, forçando o trabalhador a recorrer ao mercado informal.

A vulnerabilidade econômica é ainda mais acentuada entre as parcelas da população que recebem até dois salários mínimos, grupo no qual 70% afirmam que o orçamento doméstico não cobre as despesas básicas.

A percepção de crise também se concentra na faixa etária entre 35 e 44 anos, onde quase metade dos entrevistados registrou queda no faturamento mensal. Curiosamente, a busca por renda complementar é mais frequente entre brasileiros com níveis de instrução médio e superior, enquanto o grupo com ensino fundamental apresenta menor mobilidade ocupacional, composto majoritariamente por aposentados e donas de casa.

O endividamento acompanha a insuficiência de renda, atingindo 67% dos cidadãos brasileiros. De acordo com os dados, 21% da população já se encontra com pagamentos em atraso, caracterizando um quadro de inadimplência disseminada. As dívidas mais comuns são o cartão de crédito parcelado, empréstimos bancários e carnês de lojas. Um dado preocupante é o uso recorrente do crédito rotativo por 27% dos entrevistados, modalidade que, apesar do teto de juros implementado em 2024, ainda representa uma das linhas de crédito mais onerosas e arriscadas para o consumidor.

A crise financeira reflete-se diretamente no consumo básico e no bem-estar das famílias, que têm adotado estratégias severas de corte de gastos. Aproximadamente 64% dos brasileiros reduziram despesas com lazer e 52% diminuíram a quantidade de alimentos comprados no supermercado. Além do consumo, o aperto atingiu o pagamento de serviços essenciais: metade dos entrevistados reduziu o uso de água e luz, e 38% chegaram a interromper a compra de medicamentos. No total, 45% da população vive sob pressão orçamentária considerada “apertada” ou “severa”.

A dependência do crédito tornou-se uma ferramenta de sobrevivência, com 51% dos entrevistados admitindo dificuldade para fechar as contas do mês sem o uso do cartão de crédito. A prática de parcelar itens básicos, como compras de supermercado e contas de consumo, já faz parte da rotina de uma parcela significativa dos brasileiros. Além disso, a facilidade de acesso ao crédito por meios digitais é vista por 68% como um fator que incentiva gastos por impulso, agravando o ciclo de endividamento em um contexto onde a organização financeira ainda é incipiente para a maioria.

Por fim, a pesquisa expõe a fragilidade estrutural das finanças pessoais no país, revelando que 66% dos brasileiros não possuem qualquer reserva de emergência. A ausência de poupança, somada ao fato de que apenas 44% realizam um controle detalhado de seus gastos, deixa a população exposta a choques econômicos imediatos. Diante desse panorama de incerteza e privação, quase metade dos brasileiros (49%) declara sentir-se mal ou muito mal em relação à situação econômica do país, consolidando as dificuldades financeiras como a principal preocupação pessoal da atualidade.

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