Quem é Hélcio Tokeshi, o novo CEO da Braskem

A Braskem tem um novo CEO. O economista Hélcio Tokeshi assume o comando da maior petroquímica das Américas em um dos momentos mais delicados da história recente da companhia.

Sócio da IG4 Capital, Tokeshi chega ao cargo após a entrada da gestora no bloco de controle da Braskem, ao lado da Petrobras. A mudança marca uma nova fase de governança da empresa, que também terá Magda Chambriard, presidente da Petrobras, no comando do Conselho de Administração.

A principal missão do novo CEO será conduzir a reestruturação financeira da Braskem sem levar a companhia à recuperação judicial. A empresa enfrenta pressão de dívida, baixa rentabilidade no setor petroquímico global e ainda carrega os impactos do caso de Maceió.

Trajetória combina setor público, mercado e reestruturações

Hélcio Tokeshi tem uma carreira marcada por passagens no setor público, consultoria, mercado financeiro e gestão de ativos complexos.

Antes de chegar à Braskem, foi sócio-diretor da IG4 Capital, gestora que atua em processos de turnaround e reestruturação. Também comandou a CLI, Corredor Logística e Infraestrutura, empresa de logística ligada ao setor portuário.

No setor público, foi secretário da Fazenda do Estado de São Paulo durante o governo de Geraldo Alckmin. Também atuou como secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda.

O executivo ainda acumula passagens pela McKinsey, pelo Banco Mundial, pela GP Investments e por conselhos de empresas de infraestrutura, saneamento, saúde e seguros.

Na formação acadêmica, Tokeshi é economista pela USP, mestre em Economia pela Unicamp e doutor em Economia pela University of California, Berkeley.

Primeiro desafio é evitar pressão de caixa em julho

A urgência inicial da nova gestão é financeira. Segundo o próprio Tokeshi afirmou ao Valor Econômico, a Braskem precisa evitar o pagamento de cerca de US$ 150 milhões em juros e parcela principal da dívida em julho.

O desembolso poderia pressionar a liquidez da companhia. A estratégia passa por negociar com credores no Brasil e no México uma suspensão temporária dos vencimentos, conhecida no mercado como standstill.

A medida daria tempo para a Braskem reorganizar sua estrutura financeira antes de fechar um acordo mais amplo de reestruturação.

Tokeshi descartou a recuperação judicial como caminho prioritário. Ao mesmo tempo, alertou que uma antecipação unilateral de vencimentos por credores poderia forçar a companhia a adotar medidas mais duras.

Braskem passa por troca de controle

A chegada de Tokeshi ocorre depois da venda da participação de controle da Novonor, antiga Odebrecht, para o fundo Shine I, assessorado pela IG4 Capital.

Com a operação, a Petrobras passou a dividir o controle da Braskem com a IG4. A Novonor manteve uma fatia minoritária de 4% do capital, sem direito a voto.

A nova estrutura coloca a estatal em papel mais ativo na petroquímica. A presença da Petrobras é vista como relevante pela experiência técnica da companhia na cadeia de óleo, gás e petroquímica.

“A parceria entre as empresas reflete a nova fase na Braskem para, ao superar os desafios, preservar sua relevância estratégica para a cadeia química e petroquímica e continuar a contribuir com o desenvolvimento da indústria e das comunidades em que está inserida”, afirma Tokeshi.

Reestruturação vai além da dívida

O novo CEO indica que a crise da Braskem não será tratada apenas como um problema financeiro. A companhia também terá de rever operação, estratégia e alocação de capital em um setor mais competitivo.

A petroquímica global passa por pressão de margens, excesso de oferta em algumas regiões e custos elevados. No Brasil, a Braskem ainda precisa lidar com competitividade industrial, acesso a matéria-prima e necessidade de geração de caixa.

“Vamos avançar na revisão da estratégia com disciplina na alocação de capital, de modo a priorizar iniciativas com retorno claro. Em paralelo, estamos conduzindo uma agenda estruturada para endereçar a posição financeira da companhia, com diálogo com stakeholders financeiros para otimizar a estrutura de capital”, afirma Tokeshi.

Gás e petroquímicos verdes entram na agenda

No médio e longo prazo, Tokeshi aponta dois caminhos estratégicos para a Braskem: maior uso de gás natural como matéria-prima e avanço em petroquímicos verdes, produzidos a partir do etanol.

A migração da nafta para o gás natural aparece como uma frente relevante para reduzir custos e aumentar competitividade. Nesse contexto, a expansão do complexo petroquímico no Rio de Janeiro pode ganhar importância.

A Braskem também deve manter atenção sobre produtos de origem renovável. A companhia já é conhecida pela produção de polietileno verde, feito a partir da cana-de-açúcar.

“A proposta é que o País tenha uma indústria petroquímica saudável, olhando uma cadeia que começa na Petrobras, passa pela Braskem e chega aos transformadores”, disse Tokeshi.

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