A Quick Soft, empresa brasileira de tecnologia para o mercado de antecipação de recebíveis e crédito estruturado, adquiriu a RGBtec, fornecedora de ERP para FIDCs, securitizadoras e factorings com atuação principalmente no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. A operação adiciona cerca de 10% ao faturamento do grupo e consolida a companhia com valuation na casa dos R$ 400 milhões.
A aquisição ocorre em meio à preparação do mercado para a duplicata escritural, novo ambiente regulado que deve transformar o registro, o financiamento e o uso de duplicatas como garantia em operações de crédito. Com a transação, a Quick Soft amplia presença em praças estratégicas e reforça sua capacidade de atender diferentes perfis de clientes no mercado de recebíveis.
A compra da RGBtec é a segunda aquisição da Quick Soft em menos de 60 dias. Em maio, a companhia adquiriu a Finanblue, também especializada em sistemas para o mercado de recebíveis. Somadas, as duas operações ampliam o portfólio da Quick Soft, elevam a base combinada para mais de 1.200 clientes e reforçam a estratégia de consolidação da companhia no mercado de tecnologia para recebíveis.
As plataformas combinadas do grupo superam R$ 400 bilhões em volume transacionado por ano, e a meta da companhia é atingir R$ 1 trilhão até 2030. Para 2026, a Quick Soft projeta crescimento de 50%, considerando as aquisições e a expansão orgânica da operação. Em 2027, a expectativa é superar R$ 100 milhões em receita, com margem EBITDA acima de 35%.
Para Lucas Fiuza, co-CEO da Quick Soft, as aquisições ampliam a escala da companhia em um momento decisivo para o setor. “O movimento de consolidação nos permite ampliar presença, ganhar escala e oferecer soluções de gestão para diferentes níveis de complexidade no mercado de crédito com recebíveis. Com a Finanblue e a RGBtec, reforçamos nossa capacidade de apoiar os clientes na transição para a duplicata escritural de forma transparente, eficiente e integrada à jornada das operações”, afirma.
A estratégia de crescimento por M&A deve continuar: a Quick Soft mantém um pipeline aquecido, com pelo menos três empresas em conversas iniciais, dentro de um plano de consolidação do mercado de tecnologia para recebíveis com recursos próprios.
Novo ambiente regulado amplia oportunidade de mercado
A chegada da duplicata escritural deve representar uma das principais transformações do mercado de recebíveis nos próximos anos. Estimativas de mercado apontam que o novo instrumento tem potencial para movimentar mais de R$ 11 trilhões, envolvendo mais de 50 mil empresas sedentes de recebíveis e mais de 3 milhões de sacados.
A mudança é impulsionada pela Resolução BCB 339/2023, que torna obrigatória a escrituração de toda duplicata antecipada ou cedida em operações de crédito. A implementação será escalonada, a partir da fase de operação assistida, e deve exigir preparação tecnológica e operacional dos participantes do mercado.
Nesse cenário, a ampliação da base de clientes e a integração de novas plataformas fortalecem a posição da Quick Soft para apoiar FIDCs, securitizadoras, factorings e demais agentes da cadeia de crédito estruturado na adaptação ao novo ambiente regulado.
Plano de R$ 50 milhões mira expansão da escrituradora
Em paralelo à estratégia de aquisições, a Quick Soft discute com investidores um plano de R$ 50 milhões para sua Escrituradora e Registradora de Duplicatas Escriturais, instituição operadora do sistema financeiro sujeita à regulação do Banco Central.
A companhia já atua no registro de duplicatas mercantis e participa dos testes de homologação para registro e escrituração de duplicatas escriturais. Durante essa fase, a Quick Soft concluiu os testes de carga em metade do tempo registrado por outros players do setor, reforçando sua capacidade técnica para operar no novo ambiente regulado.
“A integração da escrituradora à nossa suíte permite atender o mercado de FIDCs com uma transição simples, sem alterar a jornada dos clientes. Para o mercado bancário, temos uma estratégia clara de entrada, baseada em eficiência de custos, preços competitivos, qualidade de atendimento e no reforço de executivos com experiência no segmento”, afirma Lucas Fiuza.
