A Raízen (RAIZ4), uma das principais referências globais nos setores de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis, encerrou o quarto trimestre da safra 2025/26 com um prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões.
De acordo com o relatório financeiro divulgado pela companhia nesta segunda-feira (29), o resultado representa um aprofundamento do prejuízo em relação ao mesmo período do ciclo anterior, quando a empresa havia reportado um saldo negativo de R$ 2,5 bilhões.
A dívida líquida saltou para R$ 58,2 bilhões puxada pela combinação de juros elevados no Brasil (encarecendo o carregamento da dívida antiga) e o forte consumo de caixa para atravessar o período de baixa produção.
Apesar da linha final do balanço pressionada, a operação da companhia mostrou forte resiliência na geração de caixa. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado atingiu a marca de R$ 2,8 bilhões no trimestre, o que representa um expressivo salto de 46% na comparação com o quarto trimestre da safra passada.
A receita líquida da gigante do setor energético, por sua vez, somou R$ 51,3 bilhões nos três meses reportados, configurando uma retração de 11,1% frente ao faturamento do intervalo antecedente.
O principal ponto de atenção nos números apresentados recai sobre a estrutura de endividamento da empresa, refletindo investimentos robustos e a consolidação de passivos ao longo do ano safra. O montante nominal representa uma forte aceleração de 69,9% acima do patamar de endividamento líquido registrado no fechamento do período anterior.
A combinação de secas severas, queimadas e excesso de chuvas nas safras passadas reduziu drasticamente a moagem, a produtividade e a qualidade da cana. O impacto estimado foi de 30% no Ebitda do segmento de açúcar e bioenergia.
O descasamento entre o prejuízo líquido contábil e a forte evolução do Ebitda ajustado indica que, embora a atividade operacional de moagem e comercialização de combustíveis siga gerando caixa em ritmo acelerado, o resultado final da companhia foi severamente impactado por despesas financeiras geradas pelo carregamento da dívida, variações cambiais ou baixas contábeis não recorrentes (write-offs) ao término deste ciclo sucroenergético.
Para equacionar esse endividamento de R$ 58 bilhões, a Raízen avançou para um plano de reestruturação financeira que envolve o apoio de grandes credores. O plano desenhado prevê um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões liderado pela Shell. Parte dos créditos bancários será convertida em participação acionária na companhia, enquanto o saldo restante das dívidas será refinanciado com prazos mais longos para dar fôlego ao caixa nos próximos anos.









