A Raízen apresentou uma nova proposta aos credores enquanto negocia a reestruturação de uma dívida estimada em R$ 65 bilhões. A companhia informou que busca captar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões em novos recursos.
O valor seria adicional aos R$ 4 bilhões já prometidos pela Shell plc e por Rubens Ometto, um dos principais controladores do grupo. Segundo as informações divulgadas, ainda não está claro de onde virá o novo capital.
A proposta busca melhorar a percepção dos credores e avançar nas negociações para evitar uma recuperação judicial mais ampla. Ao mesmo tempo, a empresa tenta preservar a atual estrutura de governança.
A Raízen reiterou também a oferta para que credores recebam 70% das ações em uma eventual conversão de dívida em participação societária. O percentual já havia sido discutido em rodadas anteriores.
Comando da empresa vira principal impasse
Apesar da nova oferta financeira, a Raízen rejeitou pedidos dos credores para abrir mão do controle do conselho de administração. Esse ponto se tornou o principal foco de tensão entre as partes.
Segundo a reportagem, Rubens Ometto deseja permanecer na presidência do conselho. Bancos e detentores de bônus, porém, pressionam por mudanças na liderança e por maior influência na governança da companhia.
Como concessão, a empresa aceitou criar um comitê de credores para acompanhar mais de perto decisões estratégicas e processos internos. A medida busca ampliar transparência durante a renegociação.
A Raízen enfrenta dificuldades após um período de juros elevados, investimentos pesados sem retorno imediato e desafios operacionais nos negócios de açúcar e etanol. Esses fatores pressionaram o caixa e elevaram a alavancagem financeira.
Por fim, as partes têm prazo legal até 6 de junho para fechar um acordo extrajudicial com apoio suficiente dos credores. Assim, as próximas semanas serão decisivas para o futuro financeiro da companhia.
