A Raízen informou que reduzirá em R$ 1 bilhão os investimentos previstos para o ano fiscal iniciado em abril de 2026. A medida faz parte do plano de reestruturação financeira da companhia, que já havia diminuído cerca de R$ 3 bilhões em despesas de capital no exercício anterior.
Segundo o CEO Nelson Gomes, o objetivo é reforçar a disciplina financeira e concentrar recursos nas operações consideradas estratégicas.
Companhia vê melhora na geração de caixa
Apesar de registrar uma queima de caixa de R$ 3,4 bilhões nos três primeiros meses de 2026, a empresa afirma que a situação mais crítica já foi superada.
O diretor financeiro Lorival Luz declarou que a companhia atravessou a fase mais aguda da pressão sobre o fluxo de caixa e que a posição atual é suficiente para sustentar as operações enquanto avança a reestruturação financeira.
Reestruturação da dívida avança
Neste mês, a Raízen recebeu aprovação dos credores para reestruturar aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas, naquela que é considerada a maior reestruturação extrajudicial da história do Brasil.
Pelo plano aprovado, cerca de 45% da dívida será convertida em participação acionária, enquanto a Shell realizará um aporte de R$ 3,5 bilhões na companhia.
Baixas contábeis aumentam
A empresa também revisou para R$ 22,5 bilhões o valor das baixas contábeis (impairment) reconhecidas no último ano-safra, praticamente o dobro da estimativa anterior.
Segundo a companhia, as perdas refletem a revisão do valor de determinados ativos e as incertezas enfrentadas durante o processo de reorganização financeira. A expectativa, porém, é recuperar entre R$ 10 bilhões e R$ 12 bilhões desses valores ao longo da reestruturação.
Empresa será dividida em duas operações
Como parte do plano estratégico, a Raízen pretende separar seus negócios em duas empresas independentes.
Uma delas ficará responsável pela distribuição de combustíveis, enquanto a outra concentrará as atividades de produção de açúcar e etanol. A reorganização deverá ser concluída até o fim de 2027, com a maior parte da dívida reestruturada permanecendo na unidade de distribuição.
Foco passa a ser eficiência operacional
Além da redução dos investimentos, a companhia continuará executando seu programa de venda de ativos e simplificação das operações para fortalecer o caixa e reduzir o endividamento.
A estratégia busca recuperar a rentabilidade da empresa após um período marcado por juros elevados, safras desfavoráveis e investimentos que demoraram mais do que o esperado para gerar retorno financeiro.
