Na terça-feira (17), o dólar chegou a atingir R$ 6,20 durante o dia, mas encerrou as negociações a R$ 6,09, renovando a máxima histórica. O índice Ptax, usado como referência em contratos denominados em reais em bolsas internacionais, revela uma desvalorização de 21,52% da moeda brasileira neste ano.
Segundo Einar Rivero, analista da Elos Ayta, este nível de deterioração cambial é o quinto pior dos últimos 24 anos e se aproxima do cenário observado durante a pandemia de Covid-19. O desempenho reflete as pressões econômicas e políticas enfrentadas pelo Brasil, bem como a volatilidade nos mercados globais.
Einar Rivero conclui que, nos últimos 25 anos, o real tem se mostrado uma moeda suscetível à volatilidade e a crises recorrentes. Nesse período, houve desvalorização cambial em 15 ocasiões, enquanto valorizações ocorreram em apenas 10 anos.
Os momentos mais críticos de desvalorização coincidiram com eventos de grande impacto, como pressões políticas internas, recessões econômicas, crises financeiras globais e a pandemia de Covid-19. Esses fatores reforçam a percepção de vulnerabilidade estrutural do real em relação a choques internos e externos.
Nesta terça-feira, o Banco Central divulgou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu elevar a taxa Selic, a taxa básica de juros, em um ponto percentual, para 12,25% ao ano. O documento reforça a possibilidade de novos aumentos de mesma magnitude nos primeiros meses de 2025, sinalizando a continuidade de uma política monetária restritiva para conter as pressões inflacionárias.
Essa decisão está alinhada à estratégia do Banco Central de assegurar que a inflação permaneça dentro da meta, mesmo diante de um cenário econômico desafiador e da volatilidade cambial.