Braskem negocia recuperação extrajudicial para evitar calote de dívida

(Bloomberg/Luke Sharrett)

A Braskem negocia com credores uma recuperação extrajudicial para reestruturar suas dívidas e evitar um possível calote já a partir de julho. A companhia enfrenta vencimentos relevantes de juros sobre títulos emitidos no exterior e busca ganhar tempo para reorganizar sua estrutura financeira.

Segundo informações divulgadas pelo InvestNews e pela Bloomberg, a estratégia prevê a obtenção de uma suspensão temporária de até 90 dias nos pagamentos, permitindo negociações com bancos e detentores de títulos de dívida.

A medida é vista pelo mercado como uma tentativa de evitar uma recuperação judicial, considerada mais complexa e com maior impacto sobre as operações da empresa.

Plano prevê alongamento de prazos

As negociações indicam que a proposta da Braskem deve focar principalmente no alongamento dos vencimentos da dívida.

Diferentemente de outras reestruturações recentes no mercado brasileiro, o plano não prevê conversão de dívida em ações, mecanismo conhecido como debt-for-equity. Também não há expectativa de aporte direto de capital pelos atuais acionistas.

A companhia pretende chegar ao pedido formal já com apoio prévio de parte relevante dos credores financeiros.

Dívida pressiona caixa da companhia

A situação financeira da Braskem se deteriorou nos últimos anos devido à combinação de margens pressionadas no setor petroquímico, elevada alavancagem e passivos extraordinários.

A empresa possui uma dívida bruta de aproximadamente US$ 9,4 bilhões e enfrenta uma concentração de vencimentos importantes nos próximos anos. Apenas em julho, cerca de US$ 150 milhões em juros precisam ser pagos.

Analistas avaliam que a companhia enfrenta dificuldades para captar novos recursos no mercado diante do atual nível de endividamento.

Problemas no México aumentam preocupação

Outro fator de pressão envolve a situação da Braskem Idesa, subsidiária da companhia no México.

A operação deixou de honrar pagamentos de juros de títulos internacionais e negocia sua própria reestruturação financeira com credores. O cenário elevou preocupações sobre possíveis impactos para a controladora brasileira.

Especialistas apontam que eventuais eventos de inadimplência podem gerar efeitos cruzados sobre obrigações financeiras da Braskem.

Nova gestão conduz reestruturação

A reestruturação ocorre em meio à mudança de controle da empresa.

A gestora IG4 Capital assumiu participação relevante na companhia e passou a dividir o controle com a Petrobras. O novo grupo controlador vem conduzindo negociações para reorganizar as finanças da petroquímica.

Além da renegociação das dívidas, a nova administração também avalia venda de ativos para reforçar o caixa e reduzir a alavancagem.

Mercado reage com cautela

As notícias sobre uma possível recuperação extrajudicial aumentaram a volatilidade das ações da empresa na bolsa.

Os papéis preferenciais BRKM5 registraram fortes oscilações nas últimas sessões, refletindo a preocupação dos investidores com a capacidade da companhia de cumprir seus compromissos financeiros.

Apesar disso, parte do mercado avalia que uma renegociação bem-sucedida pode criar condições para a recuperação operacional da empresa nos próximos anos.

Braskem afirma que ainda avalia alternativas

Em comunicado recente ao mercado, a Braskem informou que estuda alternativas para otimizar sua estrutura de capital e mantém negociações com credores.

A empresa ressaltou que ainda não tomou uma decisão definitiva sobre recuperação extrajudicial ou judicial, embora reconheça que analisa diferentes caminhos para enfrentar os desafios financeiros atuais.

O mercado acompanha os próximos passos da companhia, que serão decisivos para definir o futuro da maior petroquímica da América Latina.

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