Regeneração do solo vira estratégia de multinacionais de alimentos

A regeneração do solo deixou de ser apenas uma pauta ambiental e passou a ocupar o centro da estratégia de grandes empresas de alimentos. Multinacionais como PepsiCo e Danone estão ampliando investimentos em agricultura regenerativa para reduzir emissões, proteger cadeias de suprimento e aumentar a resiliência da produção diante das mudanças climáticas.

Especialistas apontam que a saúde do solo se tornou um fator decisivo para o futuro do sistema alimentar. Além de capturar carbono, práticas regenerativas ajudam a manter a produtividade e a reduzir riscos agrícolas associados a eventos climáticos extremos.

Agricultura regenerativa ganha espaço nas empresas

Na PepsiCo, a transformação da agricultura faz parte da estratégia global de sustentabilidade da companhia. A empresa compra cerca de 450 mil toneladas de insumos agrícolas por ano no Brasil, incluindo batata, milho e coco.

Globalmente, a multinacional pretende implementar práticas regenerativas em cerca de 4 milhões de hectares até 2030. Em 2024, aproximadamente 1,4 milhão de hectares já adotavam esse modelo produtivo.

A empresa também investe em tecnologia no campo. Sensores, drones e ferramentas de agricultura de precisão ajudam a monitorar lavouras e otimizar o uso de água e insumos.

Estudos realizados com produtores de batata indicam ganhos relevantes. Os testes registraram aumento de até 22 por cento na produtividade e redução de até 33 por cento em doenças do solo.

Práticas regenerativas fortalecem a produção agrícola

A agricultura regenerativa reúne técnicas que melhoram a saúde do solo e aumentam a eficiência da produção. Entre as principais práticas estão plantio direto, rotação de culturas, uso de bioinsumos e integração entre lavoura, pecuária e floresta.

Essas estratégias ampliam a biodiversidade no solo, melhoram a retenção de água e aumentam a captura de carbono. Com isso, as lavouras ficam mais resistentes a secas, ondas de calor e outros impactos climáticos.

No Brasil, muitas dessas técnicas já são utilizadas há décadas, impulsionadas por pesquisas da Embrapa, que ajudaram a transformar solos tropicais considerados pouco férteis em áreas altamente produtivas.

Regeneração também avança na cadeia do leite

No setor de laticínios, a Danone adotou a agricultura regenerativa como base da estratégia climática da empresa.

No Brasil, a iniciativa chamada Jornada Flora apoia mais de 130 fazendas na transição para modelos produtivos mais sustentáveis. O programa inclui capacitação técnica, incentivo financeiro e melhorias no bem estar animal.

Os resultados já mostram avanços. Entre 2020 e 2024, a cadeia brasileira da empresa registrou redução de 47 por cento nas emissões de dióxido de carbono e queda de 42 por cento nas emissões de metano.

Além do impacto ambiental, produtores participantes também registraram aumento de rentabilidade, crescimento da renda e maior produção de leite por animal.

Desafio é financiar a transição no campo

Apesar do avanço das iniciativas, especialistas destacam que a expansão da agricultura regenerativa ainda depende de financiamento e incentivos ao produtor.

A adoção dessas práticas exige investimento inicial e assistência técnica. Por isso, empresas e instituições financeiras têm testado novos modelos de crédito e parcerias com agricultores para dividir custos e riscos da transição.

A tendência é que a regeneração do solo ganhe cada vez mais espaço na estratégia das empresas de alimentos. Em um cenário de pressão climática e instabilidade agrícola, garantir solos saudáveis se tornou essencial para manter a produtividade e a segurança do abastecimento global.

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