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Home Economia

Ruptura de itens básicos volta a subir nos supermercados em novembro

João Pedro Camargo Corenciuc por João Pedro Camargo Corenciuc
29/12/2025
em Economia
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O Índice de Ruptura da Neogrid, que mede a falta de produtos nas gôndolas dos supermercados brasileiros, atingiu 11,2% em novembro, registrando alta de 0,2 ponto percentual (p.p.) em relação a outubro. O avanço foi impulsionado pelo aumento da indisponibilidade de algumas marcas em categorias essenciais, como leite UHT, feijão, arroz, ovos de aves e azeite, em um contexto de estoques mais elevados e preços mais baixos, enquanto o café foi o único item a apresentar queda na ruptura no mês.

“O aumento da ruptura em novembro não decorre de falta estrutural de abastecimento, mas sim de um fenômeno típico de períodos promocionais: a ruptura por mix. Com estoques mais elevados e preços mais baixos, o consumidor antecipou compras e formou estoques domésticos, acelerando o giro nas lojas”, analisa Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid. “Esse comportamento, somado à forte Black Friday e à preparação para o Natal, gerou indisponibilidade pontual em algumas marcas e variedades, mesmo com a indústria e o varejo operando com níveis robustos de abastecimento.”

O especialista comenta ainda que a dinâmica comercial do varejo exerce papel relevante nesse movimento: em um ambiente de negociações intensas, a busca por melhores condições comerciais pode levar à substituição de marcas na gôndola. “Nesses casos, a ruptura reflete ajustes de sortimento e estratégia comercial, e não necessariamente uma restrição produtiva ou falta de oferta da categoria”, conclui. 

Único item em baixa em novembro, o café registrou declínio de 0,3 p.p. – saindo de 6,6% em outubro para 6,3% nesta última listagem. Os preços apresentaram movimentos distintos conforme o tipo de produto. O café em grãos subiu de R$ 145,69 para R$ 148,76 no período. Já o café em pó recuou de R$ 85,90 para R$ 85,55, o que contribuiu para estimular o consumo. 

Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o mercado cafeeiro brasileiro segue marcado pela volatilidade de preços em 2025, influenciado por condições climáticas adversas ao longo do ano e ajustes entre oferta e demanda – cenário que exige maior planejamento de abastecimento por parte dos varejistas.

O leite atingiu a alta mais expressiva do período, passando de 6,7% em outubro para 13,1% em novembro (+6,4 p.p.). O movimento veio acompanhado de queda nos preços médios em todas as variedades, com o integral recuando de R$ 5,48 para R$ 5,32, o semidesnatado saindo de R$ 5,73 para R$ 5,49, o desnatado caindo de R$ 5,64 para R$ 5,45 e o sem lactose baixando de R$ 7,08 para 6,88.  

O grão apresentou alta de 1,9 p.p. na ruptura, passando de 5,2% em outubro para 7,1% em novembro. O mês foi marcado novamente por flutuações nos preços entre as variedades: o feijão-vermelho recuou de R$ 13,41 para R$ 12,88, ao passo que o feijão-branco se manteve estável, saindo de R$ 18,45 para R$ 18,45. Já o feijão-preto variou de R$ 6,01 para R$ 6,09 e o tipo carioca seguiu equilibrado em relação a outubro, custando R$ 7,06.

O arroz alcançou crescimento de 1,5 p.p. na indisponibilidade em novembro na comparação com o mês anterior, passando de 5,4% para 6,9%. Nos preços médios, houve alívio e equilíbrio em todos os segmentos analisados: o arroz parboilizado caiu de R$ 5,12 para R$ 5,02; o branco, por sua vez, baixou de R$ 5,50 para R$ 5,41. Já a versão integral saiu de R$ 11,29 para R$ 11,30. 

Os ovos de aves tiveram mais um incremento, desta vez, de 1,2 p.p. – saltando de 22,9% em outubro para 24,1% neste mês. De janeiro a novembro de 2025, a escassez do item nas gôndolas avançou 22,3%. O panorama reflete, em parte, o maior direcionamento da produção ao mercado externo. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as exportações brasileiras de ovos cresceram 135,4% no ano ante 2024. Ao mesmo tempo, a demanda doméstica mais aquecida acelerou o giro no varejo, pressionando os estoques e dificultando a reposição do produto nas prateleiras.

Os preços apresentaram oscilações distintas conforme o tipo de embalagem. A caixa com seis unidades recuou de R$ 8,64 em outubro para R$ 8,12 em novembro; em contrapartida, a de 12 unidades passou de R$ 12,31 para R$ 11,82 no período. Já as embalagens maiores, com 20 e 24 unidades, nesta ordem, variaram -0,64% e +6,8%, respectivamente.

O azeite registrou leve elevação de 0,4 p.p. em novembro na comparação com o mês anterior, passando de 8,3% para 8,7% – retornando ao patamar registrado em setembro. Da precificação média, o azeite de oliva extravirgem voltou a subir: de R$ 94,52 para R$ 95,44. Por outro lado, a classe virgem baixou de R$ 76,97 para R$ 75,87, mantendo o ritmo de queda pelo segundo mês consecutivo.

Ruptura é um indicador que mostra a porcentagem de itens em falta em relação ao total de itens de uma loja considerando o catálogo total de produtos. Por exemplo: se um varejo vende 10 marcas de água mineral de 500 ml e uma delas está sem estoque, a ruptura desse produto é de 10%. Calculado com base no mix de cada loja, o índice não considera o histórico de vendas e independe da demanda.

Outro exemplo de ruptura pode ser observado quando o arroz parboilizado deixa de estar disponível no estoque da loja e outros tipos, como o integral, agulhinha ou arbóreo, continuam disponíveis. Em todos os casos, o termo “estoque” considera todo o espaço físico do varejo, incluindo a gôndola e o local de armazenagem para produtos ainda não disponíveis na prateleira.

Tags: EconomiaInvestimentosItens básicosMercadoNegócios
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