O cenário político brasileiro ganha novos contornos com a confirmação da saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, prevista para esta sexta-feira (20). Segundo auxiliares diretos, o ministro deixará o cargo para se dedicar à pré-campanha ao governo de São Paulo, atendendo a um pedido estratégico do presidente Lula. Para o seu lugar, o nome de consenso é o do atual secretário-executivo da pasta, Dario Durigan, garantindo uma transição técnica e a continuidade das políticas econômicas em curso.
A decisão de Haddad ocorre após um período de resistência interna. Inicialmente, o ministro manifestava o desejo de atuar apenas nos bastidores, coordenando a elaboração do programa de governo para as eleições de 2026. No entanto, a insistência do Partido dos Trabalhadores e o apelo pessoal de Lula — que vê em São Paulo um palanque fundamental para o projeto nacional — foram decisivos para que ele aceitasse o desafio de disputar o Palácio dos Bandeirantes pela segunda vez consecutiva.
Pela frente, Haddad terá o desafio de enfrentar o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que lidera as pesquisas de intenção de voto e conta com a vantagem de buscar a reeleição. A saída do Ministério da Fazenda permitirá que o agora pré-candidato faça uma breve pausa para descanso antes de iniciar as articulações políticas no estado, focando na consolidação de uma frente ampla para disputar o maior colégio eleitoral do país.
Sob sua condução, o país apresentou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que superou as expectativas iniciais do mercado financeiro, registrando uma expansão de aproximadamente 3% em 2024 e uma estimativa de 2,5% para 2025. Esse dinamismo econômico refletiu-se diretamente no mercado de trabalho, levando a taxa de desemprego ao seu menor patamar histórico, encerrando o ano de 2025 em 5,6%, acompanhada de um aumento real na renda média do trabalhador.
No campo do controle monetário, a inflação medida pelo IPCA permaneceu sob controle, situando-se dentro ou muito próxima das metas estabelecidas, o que Haddad frequentemente destacou como um dos menores acumulados da história recente. No entanto, a manutenção da Taxa Selic em patamares elevados para conter as expectativas inflacionárias representou um desafio contínuo, elevando o custo da dívida pública e pressionando o balanço fiscal. Apesar disso, o setor externo demonstrou vigor excepcional, com a balança comercial atingindo recordes sucessivos e acumulando um superávit de US$ 11,89 bilhões apenas até a segunda semana de março de 2026, um crescimento expressivo em relação ao ano anterior.
O maior embate da gestão concentrou-se no reequilíbrio das contas públicas e na busca pela meta de déficit zero. Embora o governo tenha encerrado 2025 com um déficit preliminar entre 0,1% e 0,5% do PIB, a dívida bruta manteve uma trajetória de ascensão, alcançando patamares próximos a 79% do PIB no início de 2026. Paralelamente às métricas fiscais, Haddad deixa como principal legado institucional a simplificação do sistema de consumo e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos de até R$ 5 mil, medidas que visam modernizar a estrutura produtiva e aliviar a carga sobre a classe média a partir deste ano.









