Salário mínimo de 2026 é 4,4 vezes menor que o necessário, aponta DIEESE

O novo salário mínimo de R$ 1.621 entrou em vigor em 1º de janeiro de 2026, com aumento de R$ 103 em relação aos R$ 1.518 vigentes no ano anterior. O reajuste considera dois fatores: o INPC acumulado até novembro de 2025, que ficou em 4,4%, e o crescimento real do PIB de dois anos atrás, limitado a 2,5% pelo arcabouço fiscal. O PIB de 2024 cresceu 3,4%, mas o teto prevaleceu. O novo valor já entra na folha de pagamento de fevereiro.

O piso salarial serve de referência para quase 60 milhões de brasileiros e baliza desde contratos de trabalho até aposentadorias, seguro-desemprego e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Mas o DIEESE aponta um abismo entre o valor oficial e o necessário: para bancar as despesas básicas de uma família de quatro pessoas, o salário precisaria ser de R$ 7.067,18, ou seja, 4,4 vezes o piso atual. O cálculo considera tudo que a Constituição define como essencial: comida, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

O que pesa no orçamento das famílias

O DIEESE lembra que entre 2019 e 2022, o salário mínimo apenas acompanhou a inflação, sem nenhum ganho real. Na prática, o poder de compra encolheu, especialmente quando os preços dos alimentos dispararam. Comida é o item que mais pesa no orçamento de quem vive com o piso.

Mesmo assim, o instituto reconhece o impacto econômico do salário mínimo. O valor de R$ 1.518 praticado em 2025 injetou R$ 81,5 bilhões na economia e gerou R$ 43,9 bilhões em impostos sobre o consumo. O dinheiro circula, aquece o comércio e movimenta a base da cadeia produtiva. Mas segue insuficiente para garantir vida digna a quem depende dele.

Um problema que não é novo

O descompasso entre o salário mínimo oficial e o necessário acompanha o Brasil há décadas. Em 2005, o piso era de R$ 300 e o DIEESE já estimava que seriam necessários mais de R$ 1.500 para cobrir as necessidades de uma família, mais de cinco vezes o valor vigente. Em 2015, quando o salário subiu para R$ 788, o instituto reconheceu que era o maior valor real desde 1983, com ganho acumulado de 76,54% desde 2002. Mesmo assim, a distância para o mínimo ideal já era enorme.

A conta muda a cada ano, mas a conclusão permanece a mesma: o Brasil reajusta o piso, mas o custo de viver digno cresce mais rápido.

Sair da versão mobile