Samsung amplia lucro em 19 vezes, mas ações caem com temores sobre IA

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A Samsung Electronics reportou um desempenho financeiro histórico para o segundo trimestre de 2026, consolidando um lucro operacional de 89,4 trilhões de won (aproximadamente US$ 58,44 bilhões). O montante representa uma explosão de 19 vezes em relação aos 4,7 trilhões de won registrados em igual período do ano passado, superando os ganhos somados da companhia nos últimos três anos e batendo as projeções do LSEG SmartEstimate, que estimava 87,3 trilhões de won. O balanço foi impulsionado pelo apetite voraz por semicondutores voltados a data centers de Inteligência Artificial e por uma receita consolidada de 171 trilhões de won, um salto anual de 129%.

Apesar do resultado robusto na linha de frente operacional, o anúncio regulatório disparou uma onda de liquidação em massa na Bolsa de Seul. As ações da Samsung Electronics desabaram até 10,1% durante o pregão, encerrando a terça-feira em queda de 6,9%.

O movimento apagou mais de US$ 80 bilhões em valor de mercado da gigante sul-coreana e arrastou sua principal concorrente local, a SK Hynix, que fechou em baixa de 6%. O pânico generalizado no setor de tecnologia contaminou o índice de referência KOSPI, que encerrou o dia com retração de 4,9%.

O recuo expressivo reflete o ceticismo crescente de Wall Street e de investidores globais em relação à sustentabilidade e duração do atual ciclo de investimentos em IA. Há o temor latente de que as grandes Big Techs norte-americanas, como Microsoft, Meta, Amazon e Alphabet, comecem a desacelerar seus planos de expansão de infraestrutura após contraírem volumes vultosos de dívidas para financiar data centers cujos retornos financeiros de curto prazo ainda se mostram incertos.

Um relatório recente do Morgan Stanley endossou esse sentimento de cautela, alertando que o rali histórico dos papéis de semicondutores iniciado em março perdeu tração diante da expectativa de uma maior disciplina de capital por parte dos provedores de hiperescala.

Paralelamente, analistas de mercado apontaram que, embora o preço médio de venda das memórias DRAM e NAND tenha saltado 44% e 53% no trimestre, respectivamente, a receita total da Samsung ficou ligeiramente abaixo das expectativas mais otimistas. Segundo avaliações da Morningstar, o teto da receita foi limitado por uma acomodação nos preços das memórias convencionais, o que gerou desconforto sobre a força estrutural das cotações de longo prazo. O lucro final também foi impactado por provisões contábeis bilionárias destinadas ao pagamento de bônus aos funcionários da divisão de semicondutores, após um acordo salarial firmado em maio que atrelou os vencimentos diretamente ao lucro operacional. Sem esse impacto específico, o ganho operacional da Samsung teria superado a marca histórica de 100 trilhões de won.

O mercado de tecnologia agora aguarda a divulgação do balanço detalhado por divisões de negócios, agendado para o dia 30 de julho, onde serão discriminados os resultados e os prejuízos potenciais das operações de fundição (foundry) e de chips lógicos (LSI). O setor de semicondutores enfrentará um teste crucial de confiança já nos próximos dias com a estreia das ações da SK Hynix no mercado de capitais norte-americano, após a rival lançar um IPO de 43 trilhões de won com negociações previstas para começar nesta sexta-feira.

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