Após multiplicar receita por seis, healthtech prepara aquisições para chegar a oito novas cidades

A Sanii, startup de cuidado domiciliar para idosos, prepara uma nova fase de expansão depois de multiplicar por seis sua receita recorrente mensal nos últimos 18 meses. Recém-chegada a Campinas, a empresa agora planeja entrar em outras oito cidades, combinando crescimento orgânico com fusões e aquisições.

O avanço será apoiado por uma trajetória de R$ 13 milhões captados desde a fundação. Desse total, R$ 8 milhões vieram de uma rodada pré-seed liderada pela Valor Capital em 2023, enquanto outros R$ 5 milhões foram levantados no fim de 2025 em uma captação comandada pela Sororitê Ventures.

Os recursos ajudaram a consolidar a operação em São Paulo e abriram espaço para a primeira expansão regional. Embora já atendesse pacientes em Campinas, a Sanii inaugurou uma sede própria na cidade há cerca de um mês.

“A gente já atende paciente em Campinas, mas agora, de fato, abrimos sede. Daqui em diante, queremos replicar o modelo que a gente tem feito aqui em São Paulo e levar esse playbook para outras cidades”, afirmou Renato Tilkian, cofundador da Sanii.

M&As entram no centro da expansão

A próxima etapa coloca aquisições diretamente no radar. A empresa busca negócios ligados a cuidadores de idosos, mas também considera companhias que ofereçam outros serviços para esse público.

Entre os mercados mapeados estão ABC Paulista, Alphaville, Brasília, Recife, Salvador, Goiânia e Porto Alegre. A prioridade são regiões com maior concentração de idosos e renda média mais elevada.

A estratégia não é inédita. Antes de operar sob a marca Sanii, os fundadores compraram a Senior Services, empresa de cuidadores que posteriormente foi incorporada à startup.

Agora, a companhia pretende repetir parte dessa lógica para acelerar presença territorial em vez de depender apenas da abertura de novas unidades do zero.

IA organiza a operação por trás dos cuidadores

O crescimento da Sanii também passa por uma infraestrutura tecnológica própria. Segundo os fundadores, a inteligência artificial atua principalmente na retaguarda da operação, enquanto o atendimento aos pacientes continua sob responsabilidade dos profissionais.

“Conseguimos construir uma empresa de cuidadores que gira em torno de inteligência artificial. O atendimento continua sendo altamente humano, mas toda a retaguarda operacional é baseada em IA”, disse Michael Kapps, cofundador da empresa.

Uma das principais ferramentas é a Sofiia, assistente virtual integrada ao WhatsApp. O sistema acompanha os plantões, conversa com os cuidadores e registra informações como medicação, sinais vitais, higiene, check-in e check-out.

Os dados alimentam relatórios usados por equipes de saúde e familiares no acompanhamento da rotina do paciente.

“No WhatsApp está todo mundo online e ligado. Então, a Sofiia vai conversando com o cuidador, perguntando como está o plantão, fazendo check-in e check-out, registrando medicação, sinais vitais e outras informações”, afirmou Tilkian.

Além da assistente, a startup desenvolveu sistemas para selecionar profissionais, montar escalas e acompanhar atendimentos.

Indicações médicas ajudam a alimentar a demanda

A Sanii também cresce por meio de encaminhamentos de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, clínicas, hospitais e Instituições de Longa Permanência para Idosos.

Parte da demanda surge após situações em que famílias precisam estruturar rapidamente o cuidado em casa, como altas hospitalares, cirurgias, AVC ou fraturas.

A empresa afirma já ter recebido famílias encaminhadas por instituições como Hospital Albert Einstein, Sírio-Libanês, Samaritano, 9 de Julho e Beneficência Portuguesa.

Esse fluxo cria uma conexão direta entre a operação domiciliar e uma etapa delicada da jornada do paciente: a transição do hospital para casa.

Receita recorrente cresceu seis vezes

Nos últimos 18 meses, a startup multiplicou por seis sua receita recorrente mensal, segundo números informados pelos fundadores ao Startups.

A companhia não divulgou o valor absoluto da receita, mas considera a aceleração uma validação do modelo que combina atendimento humano com automação da operação.

Com Campinas como primeira nova base e R$ 13 milhões captados ao longo da trajetória, a Sanii entra agora em uma fase na qual aquisições podem reduzir o tempo necessário para alcançar novos mercados.

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