A Seconds, plataforma curitibana de inteligência para marketplaces, nasceu de uma dor comum entre vendedores online: vender mais nem sempre significa ganhar mais.
Criada por Leonardo Vilar e Greyce Minatti, a empresa cresceu sem captar recursos externos e hoje apoia clientes que transacionaram R$ 12,3 bilhões em 2024. O valor não representa a receita da Seconds, mas o volume de vendas online gerenciado com suporte da tecnologia da companhia.
A plataforma ajuda lojistas a administrar preços, anúncios, concorrência e rentabilidade em canais digitais. Hoje, movimenta cerca de R$ 900 milhões por mês em vendas online, gerencia mais de 51 milhões de anúncios e monitora aproximadamente 600 mil concorrentes em tempo real.
A escala atual contrasta com a origem do negócio. Antes da plataforma, os fundadores quebraram três vezes, acumularam dívidas e venderam patrimônio, incluindo a própria casa, para manter o projeto vivo.
De vendedor online a fundador de plataforma
Leonardo Vilar começou a carreira como programador, mas encontrou no comércio eletrônico uma oportunidade de empreender. Depois de atuar em projetos de tecnologia, tornou-se sócio de uma operação de motopeças vendidas pela internet.
O negócio crescia, mas a margem desaparecia. Custos de aquisição, investimentos em mídia, taxas dos marketplaces e despesas operacionais pressionavam a operação.
A virada veio quando Vilar passou a vender no Mercado Livre, ainda em uma fase em que parte dos lojistas tradicionais olhava a plataforma com desconfiança. Em poucos meses, alcançou a categoria Platinum e passou a administrar dezenas de milhares de anúncios.
O avanço trouxe um novo problema: a complexidade. Preços mudavam o tempo todo, concorrentes reagiam em tempo real, regras das plataformas eram atualizadas e algoritmos influenciavam a visibilidade dos produtos.
Sem encontrar uma solução adequada no mercado, ele decidiu desenvolver a própria tecnologia.
Tecnologia nasceu de uma quase falência
O sistema começou como uma ferramenta interna para resolver os problemas da operação dos próprios fundadores.
Enquanto Leonardo trabalhava no desenvolvimento da tecnologia, Greyce assumia parte da linha de frente do negócio. Sem formação técnica, passou a aprender sobre logística, atendimento, gestão de conflitos e vendas online dentro da rotina dos marketplaces.
A empresa ainda não tinha produto pronto, mas já lidava com dívidas bancárias, cobranças de fornecedores e pressão financeira. Para seguir em frente, a família vendeu bens e usou recursos próprios.
A experiência moldou a tese central da Seconds: ajudar vendedores a olhar menos para faturamento bruto e mais para lucratividade.
Vender mais não basta
A Seconds cresceu com uma proposta direta para sellers. Em marketplaces cada vez mais competitivos, aumentar volume de vendas pode não resolver o problema se a margem for corroída por frete, taxas, mídia paga, descontos e reajustes de concorrentes.
A plataforma foi construída para apoiar decisões de precificação, posicionamento, anúncios e gestão operacional.
O foco em lucratividade se tornou diferencial em um mercado em que muitas ferramentas priorizam apenas escala, volume e exposição.
Nos primeiros anos, a empresa combinava tecnologia com consultoria, planilhas, visitas presenciais e suporte direto aos vendedores. Essa proximidade ajudou a entender problemas reais dos lojistas e a transformar essas dores em produto.
Mercado Livre foi a primeira especialização
A experiência prática no Mercado Livre criou uma vantagem para a Seconds. Ao longo dos anos, a empresa acumulou conhecimento sobre regras da plataforma, comportamento dos vendedores, gestão de anúncios e disputa por preço.
Essa especialização ajudou a companhia a conquistar sellers que precisavam preservar margem em um ambiente de alta concorrência.
Agora, a Seconds avança para outros canais. Além do Mercado Livre, a empresa amplia integrações com Amazon, Shopee, Magalu, Shein e MadeiraMadeira.
O objetivo é se tornar uma plataforma multicanal para vendedores que atuam em diferentes marketplaces ao mesmo tempo.
