Segunda tela no PDV vira aposta para vender mais no caixa

O caixa deixou de ser apenas o ponto final da compra no varejo. Em um mercado mais competitivo e com margens pressionadas, o momento do pagamento passou a ser visto também como uma oportunidade para melhorar a experiência do cliente, reduzir dúvidas e fortalecer a relação com a loja.

É nesse contexto que as segundas telas de PDV ganham espaço, especialmente no varejo farmacêutico. A tecnologia funciona como um monitor voltado ao consumidor, exibindo em tempo real as informações registradas pelo operador de caixa.

Na prática, enquanto o colaborador passa os produtos, o cliente acompanha a lista de itens, preços, descontos, subtotal e valor final. A tela também pode exibir campo para CPF ou CNPJ, pesquisa de satisfação e campanhas da loja.

Caixa passa a ter papel estratégico

Para Stephenson Seleber, presidente da Alpha7 Software, o varejo precisa olhar o caixa de forma mais ampla. Segundo ele, esse é um ponto decisivo da jornada do consumidor.

“O momento do pagamento é decisivo. É ali que o cliente confirma se está tudo certo com a compra e consolida sua percepção sobre o atendimento. Se a experiência for positiva, as chances de fidelização aumentam significativamente”, afirma.

A proposta da segunda tela é dar mais transparência ao processo sem aumentar a complexidade da operação. O operador continua trabalhando normalmente, enquanto o cliente visualiza uma interface simplificada e adaptada ao seu uso.

“O objetivo é dar transparência sem gerar complexidade. A tela é 100% voltada ao consumidor e funciona em paralelo ao atendimento”, explica Seleber.

Transparência pode reduzir erros e retrabalho

Um dos principais ganhos para o varejista está na redução de dúvidas sobre valores. Quando o cliente acompanha a compra em tempo real, fica mais fácil identificar divergências antes do pagamento.

Isso pode diminuir pedidos de estorno, questionamentos posteriores e retrabalho no balcão. Em farmácias, onde há grande volume de itens, programas de desconto, CPF na nota e convênios, a clareza no caixa pode impactar diretamente a percepção de confiança.

A tela também permite que o consumidor digite o CPF diretamente, reduzindo etapas de comunicação com o atendente e agilizando o fluxo da fila.

Segunda tela também vira mídia da loja

Além da função operacional, a segunda tela pode servir como canal de comunicação. O varejista pode exibir campanhas, ofertas, lançamentos e mensagens institucionais no momento em que o cliente já está envolvido com a compra.

Esse ponto de contato é considerado valioso porque acontece em uma etapa de alta atenção. O consumidor está olhando para o valor final, conferindo produtos e concluindo a decisão de compra.

Para lojas menores, a tecnologia também pode ajudar a transmitir uma imagem de modernização e organização. Segundo Seleber, o consumidor percebe quando há tecnologia aplicada ao atendimento.

“Hoje, o consumidor percebe quando há tecnologia aplicada ao atendimento. Isso posiciona a loja como moderna e organizada”, destaca.

Digitalização também acontece na loja física

A transformação digital no varejo costuma ser associada ao e-commerce, aplicativos e canais de venda online. Mas parte importante dessa mudança também acontece dentro da loja física.

O PDV concentra pagamento, atendimento, comunicação e relacionamento. Por isso, tecnologias que tornam esse momento mais claro e eficiente podem ter impacto direto na experiência do consumidor.

“O PDV pode e deve ser estratégico. Ele é um canal de relacionamento, de comunicação e de construção de marca. Quem entende isso sai na frente”, afirma Seleber.

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