A Senior Sistemas pretende alcançar R$ 5 bilhões em faturamento até 2032, apoiada em uma combinação de crescimento orgânico e novas aquisições. Depois de realizar mais de 30 operações desde 2015, a companhia catarinense aumentou o tamanho dos cheques e passou a buscar empresas capazes de adicionar escala, produtos e presença em mercados considerados estratégicos.
As duas maiores compras de sua história foram anunciadas nos últimos meses. Em dezembro, a Senior pagou R$ 162,5 milhões pela Cigam, desenvolvedora gaúcha de sistemas de gestão empresarial. Em junho, anunciou a aquisição da HRtech Salú por R$ 318,7 milhões.
A companhia também comprou, em maio, a paranaense Forbiz por R$ 62,1 milhões. A empresa atuava há mais de três décadas como canal de vendas e integração das próprias soluções da Senior.
Segundo o CEO, Carlênio Castelo Branco, o aumento no valor das operações não representa uma mudança improvisada. A companhia define previamente os setores em que deseja crescer e, depois, procura empresas alinhadas ao planejamento.
“Dificilmente fazemos uma aquisição apenas porque apareceu uma oportunidade. Traçamos a estratégia de longo prazo, escolhemos os segmentos e buscamos as empresas inseridas neles”, afirmou.
Compras reforçam duas frentes de crescimento
As aquisições da Cigam e da Salú atendem a objetivos diferentes. A primeira reforça a consolidação da Senior no mercado de ERP, sigla usada para os sistemas que integram áreas como finanças, vendas, estoque e produção.
Antes da operação, a Senior gerava aproximadamente R$ 400 milhões em receita com ERP. A Cigam acrescenta cerca de R$ 100 milhões e também traz produtos voltados a franquias e varejo.
A integração foi autorizada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica no início de 2026. A marca será mantida como Cigam by Senior, enquanto as duas empresas passam a compartilhar produtos e canais de distribuição.
Soluções de recursos humanos, logística e segurança desenvolvidas pela Senior serão oferecidas aos clientes da Cigam. No sentido contrário, ferramentas da adquirida passarão a ser comercializadas pela estrutura da compradora.
A aquisição da Salú abre uma frente na área de saúde ocupacional. A HRtech saiu do zero para uma receita próxima de R$ 90 milhões e oferece uma solução que ainda não fazia parte do portfólio da Senior.
O negócio já recebeu aprovação do Cade, mas ainda depende do cumprimento das condições previstas no contrato. A expectativa é concluir a operação nos próximos meses.
Senior pretende levar Salú a milhões de trabalhadores
A tese de crescimento da Salú está apoiada na base já atendida pela Senior. A companhia possui entre 7 milhões e 8 milhões de pessoas cadastradas em suas soluções de recursos humanos, além de mais de 200 vendedores e cerca de 100 canais de distribuição.
Essa estrutura poderá ser usada para oferecer os produtos de saúde ocupacional da adquirida aos clientes atuais.
O tema também ganhou relevância com as mudanças relacionadas à Norma Regulamentadora nº 1, a NR-1, que trata da gestão de riscos ocupacionais e exige adaptações das empresas.
Para Castelo Branco, a aquisição combina receita, complementaridade de produto e capacidade de distribuição. A Senior poderá vender a solução para uma base já formada, reduzindo parte do custo necessário para conquistar novos clientes.
Meta prevê R$ 2 bilhões em aquisições
A Senior encerrou 2025 com receita recorde de R$ 1,17 bilhão, crescimento próximo de 20% sobre o ano anterior. Em 2026, a companhia avança entre 24% e 25% e espera superar R$ 1,3 bilhão até dezembro.
Com a contribuição da Salú, a projeção é crescer entre 30% e 35% no próximo ano.
Para atingir os R$ 5 bilhões previstos para 2032, a administração calcula que aproximadamente R$ 2 bilhões deverão vir de aquisições realizadas nos próximos seis anos. O restante dependerá da expansão dos negócios já existentes.
A proporção poderá mudar conforme o desempenho orgânico. Caso a empresa cresça 14% com suas operações atuais, precisará acrescentar cerca de 8% por meio de compras. Se o avanço orgânico chegar a 18%, a necessidade de crescimento inorgânico diminui.
O ritmo orgânico já aumentou. Historicamente, a Senior crescia entre 12% e 13% ao ano sem considerar aquisições. Agora, esse índice está entre 17% e 18%.
A dificuldade está na composição da receita. Cerca de 82% do faturamento é recorrente, parcela que tende a crescer perto da inflação. Para elevar o resultado total em 17% ou 18%, as vendas novas precisam avançar entre 40% e 50%.
Queda dos valuations abre oportunidades
A Senior considera que o momento atual favorece empresas com caixa e capacidade de realizar integrações. Muitas companhias de tecnologia receberam aportes durante o período posterior à pandemia e agora se aproximam do momento em que seus investidores procuram vender as participações.
Ao mesmo tempo, os valores pedidos por empresas de software passaram por correções, depois dos patamares elevados observados nos anos de maior liquidez.
“Por muito tempo fiquei com caixa e não conseguia usar porque não encontrava boas opções. Agora aparecem tantas oportunidades que precisamos fazer uma seleção”, disse o CEO.
No radar estão empresas ligadas a duas grandes frentes. A primeira é a camada de gestão, que reúne ERP, logística e soluções específicas para construção, agronegócio e indústria. A segunda envolve pessoas, com ferramentas de recursos humanos, saúde e segurança.









