A Simpar anunciou a venda de 100% da HSIM Participações e Holding, controladora da CS Porto Aratu, para a ICTSI Americas, subsidiária da operadora portuária global International Container Terminal Services. A transação foi avaliada em R$ 1,8 bilhão.
A operação será realizada pela própria Simpar e por sua subsidiária integral CS Brasil Holding e Locação, que possuem, respectivamente, 63,27% e 36,73% da HSIM.
O valor considera um equity value de R$ 750 milhões e uma dívida líquida de aproximadamente R$ 1 bilhão, com base na posição financeira do primeiro trimestre de 2026.
No fechamento da transação, os vendedores receberão R$ 650 milhões. Outros R$ 100 milhões poderão ser pagos por meio de um mecanismo de earn-out, condicionado ao cumprimento de metas previstas no contrato, em até 18 meses após a conclusão do negócio.
A venda ainda depende do cumprimento de condições precedentes, incluindo a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade, e a autorização do poder concedente.
Venda reforça estratégia de monetização de ativos
A Simpar afirma que a operação faz parte de sua estratégia de desenvolver, ampliar e posteriormente vender ativos de infraestrutura.
Segundo a holding, os três principais ativos desenvolvidos pelo grupo, Ciclus Rio, Ciclus Amazônia e CS Porto Aratu, alcançaram valor conjunto de R$ 3,9 bilhões.
A taxa interna de retorno média dessas operações foi de 36% ao ano, desempenho 24 pontos percentuais acima do CDI e 30 pontos percentuais superior ao Ibovespa no mesmo período.
No caso da CS Porto Aratu, a Simpar investiu R$ 128 milhões em recursos próprios e obteve retorno equivalente a 5,8 vezes o capital aplicado, considerando um prazo médio de 3,6 anos.

Porto recebeu cerca de R$ 900 milhões em investimentos
A Simpar investiu aproximadamente R$ 900 milhões na modernização da operação portuária. O projeto transformou uma estrutura originalmente construída na década de 1970 em uma plataforma com maior capacidade de armazenagem e movimentação.
As obras incluíram a construção integral do terminal ATU18, a modernização do ATU12, a ampliação da capacidade de armazenagem para 270 mil toneladas, serviços de dragagem e a aquisição de equipamentos.
A capacidade operacional do porto foi ampliada em cinco vezes nos últimos quatro anos e alcançou potencial para movimentar 9,5 milhões de toneladas por ano.
A infraestrutura foi preparada para atender ao corredor agrícola do Matopiba e já pode receber navios Panamax, além de possuir potencial para operar embarcações maiores, da categoria Post-Panamax.
Simpar reduz ritmo de aquisições
A venda ocorre em meio ao processo de desalavancagem da holding. Após um ciclo de expansão entre 2020 e 2023, período no qual realizou mais de 20 aquisições, a Simpar passou a priorizar geração de caixa, eficiência operacional e redução do endividamento.
O grupo também realizou um aumento de capital de R$ 2,9 bilhões, com participação do BNDESPar, e iniciou a venda de ativos não listados.
Em 2025, a companhia vendeu a Ciclus Rio, empresa de tratamento de resíduos, por R$ 1,8 bilhão. A operação foi apresentada como o primeiro passo da estratégia de monetização, agora ampliada com a saída da CS Porto Aratu.
Fundada em 1956, a Simpar reúne oito companhias, entre elas JSL, Movida, Vamos, Automob e CS Brasil. A venda do ativo portuário marca uma nova etapa da estratégia financeira do grupo, com menor volume de investimentos e maior atenção à estrutura de capital.