Solarprime aposta em baterias para dobrar receita e chegar a R$ 100 milhões

A Solarprime pretende dobrar o faturamento em 2026 e alcançar R$ 100 milhões ao ampliar sua atuação em sistemas de armazenamento de energia. Depois de crescer com projetos de geração solar distribuída, a empresa passa a concentrar parte da estratégia em baterias destinadas principalmente a grandes consumidores industriais.

A projeção representa o dobro da receita registrada em 2025, de aproximadamente R$ 50 milhões. O novo ciclo de expansão será apoiado por investimentos em tecnologia, parcerias comerciais e aproximação com fornecedores chineses, que concentram parte relevante da produção mundial de baterias e equipamentos usados no setor.

Com cerca de 15 MW instalados em sistemas de armazenamento, a Solarprime busca ocupar espaço em um mercado ainda pouco desenvolvido no Brasil. A empresa trabalha com soluções conhecidas como BESS, sigla em inglês para sistemas de armazenamento de energia por baterias.

Armazenamento ganha espaço na estratégia

O avanço das baterias ocorre em um momento de amadurecimento da energia solar no país. Em abril de 2026, a capacidade operacional da fonte fotovoltaica chegou a aproximadamente 70,3 GW, segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR).

A expansão trouxe escala para o setor, mas também aumentou a concorrência entre integradores, fornecedores e redes especializadas. Com mais empresas disputando clientes, as margens dos projetos tradicionais diminuíram, especialmente em instalações residenciais e comerciais de menor porte.

Diante desse cenário, a Solarprime reduziu sua exposição a algumas operações convencionais e passou a direcionar recursos para projetos de maior complexidade. O armazenamento surge como uma alternativa para elevar o valor dos contratos e atender empresas que procuram reduzir despesas com energia, aumentar a segurança operacional ou garantir fornecimento durante interrupções.

Além de sistemas conectados à rede elétrica, a companhia trabalha com projetos off-grid, híbridos e soluções que combinam geração solar com baterias.

Baterias ajudam indústria a reduzir custos

Um dos principais argumentos comerciais está na diferença entre as tarifas cobradas ao longo do dia. Grandes consumidores podem pagar valores significativamente maiores nos horários de maior demanda, quando o sistema elétrico fica mais pressionado.

As baterias permitem armazenar energia nos períodos mais baratos e utilizá-la nos horários de pico. Segundo a Solarprime, a diferença tarifária pode chegar a seis vezes em determinadas situações.

Essa dinâmica pode tornar o investimento especialmente atrativo para fábricas, centros logísticos, hospitais, supermercados e empresas que operam equipamentos com alto consumo elétrico. Dependendo do perfil da operação, a companhia estima que os projetos possam apresentar retorno financeiro entre um e dois anos.

O sistema também pode ser usado para manter equipamentos funcionando durante falhas no fornecimento, reduzir picos de demanda e melhorar a previsibilidade dos gastos mensais com eletricidade.

China entra no radar da expansão

Para acelerar a nova área, executivos e equipes técnicas da Solarprime intensificaram as viagens à China. O objetivo é avaliar tecnologias, fornecedores e modelos de baterias que possam ser adaptados às condições do mercado brasileiro.

A aproximação com fabricantes internacionais também busca reduzir custos e ampliar a eficiência dos equipamentos oferecidos aos clientes. A China concentra boa parte da cadeia global de baterias, desde a produção de células até sistemas completos de gestão e armazenamento.

Parcerias locais devem complementar esse movimento. A estratégia prevê ampliar a oferta de projetos personalizados e fortalecer a atuação no segmento industrial, considerado mais rentável e menos pulverizado do que o mercado residencial.

Fundada em 2014, a Solarprime atua com projetos de geração conectada à rede, sistemas independentes, soluções híbridas e armazenamento por baterias. A aposta da empresa é que a próxima etapa de crescimento do setor brasileiro não estará apenas na produção de energia solar, mas também na capacidade de guardar e utilizar essa eletricidade de forma mais eficiente.

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