A Sólides quer levar IA ao RH de 6,7 milhões de pequenas empresas

A Sólides quer transformar a inteligência artificial em uma ponte para milhões de pequenas empresas brasileiras que ainda fazem gestão de pessoas no improviso. Depois de encerrar 2025 com R$ 500 milhões em receita, alta de 61% sem aquisições, a companhia mineira mira crescimento de cerca de 50% em 2026.

O plano passa por um novo mercado. Até pouco tempo, a empresa atuava em um universo potencial de aproximadamente 1,5 milhão de companhias. Com o desenvolvimento de uma solução voltada a negócios menores, esse alcance subiu para 6,7 milhões de empresas.

“Nosso mercado era um mercado de 1,5 milhão de empresas. No ano passado desenvolvemos um produto feito para esse empreendedor de empresas menores. E aí ampliamos o nosso mercado”, afirma Mônica Hauck, cofundadora e CEO da Sólides, em entrevista à EXAME durante o Leader Shift, evento promovido pela companhia em Belo Horizonte.

A ambição é chegar ao primeiro bilhão em receita em 2028.

IA entra no RH de empresas que ainda usam Excel

A aposta da Sólides mira uma dor conhecida das pequenas e médias empresas brasileiras: a falta de tecnologia na gestão de pessoas.

“Mais de 80% dos nossos clientes usavam ou Excel ou nada para fazer gestão de pessoas”, afirma Mônica.

Sem processos estruturados, negócios pequenos ficam mais expostos a rotatividade, baixa produtividade, falhas de controle de jornada e riscos trabalhistas. A base de clientes da Sólides é formada principalmente por empresas de serviços, seguida por varejo e indústria.

“Quando entramos com a tecnologia, a gente organiza o negócio, o que permite que esse empreendedor saia da zona de sobrevivência e entre para a zona de competitividade”, diz a CEO.

A empresa já atende mais de 50 mil clientes e vê espaço para crescer dentro da própria carteira. Segundo Mônica, mesmo sem adicionar novos clientes, a Sólides ainda poderia multiplicar a receita ao oferecer produtos já existentes para a base atual.

Start Sólides leva gestão de pessoas ao WhatsApp

Uma das principais apostas da companhia é o Start Sólides, produto criado para empreendedores que ainda não operam plataformas robustas de RH.

A ferramenta usa inteligência artificial e funciona pelo WhatsApp, canal já familiar para donos de pequenos negócios. A proposta é permitir que o empreendedor execute processos de gestão, controle de jornada e seleção de pessoas de forma simples.

“A gente usou a IA para lançar o Start Sólides, que é um produto onde o empreendedor pode usar pelo WhatsApp e fazer os seus processos de gestão, de controle de jornada, de processo seletivo, de uma forma simples”, afirma Mônica.

Além do Start Sólides, a empresa quer ampliar a oferta de soluções de folha de pagamento e controle de ponto.

Laboratório de IA começou antes da febre generativa

A Sólides começou a investir em inteligência artificial antes da popularização dos modelos generativos.

“Investimos em IA quando não se falava muito dela. O nosso lab de IA começou em 2020, quando ninguém falava disso”, afirma a CEO.

Hoje, a companhia mantém dois laboratórios dedicados à pesquisa em inteligência artificial. Um deles funciona em parceria com a PUC Minas.

Quando a IA generativa ganhou força no mercado, a tecnologia já fazia parte da cultura da empresa. O tema também foi central na segunda edição do Leader Shift, evento que reuniu cerca de 2 mil pessoas em Belo Horizonte para discutir liderança, tecnologia e futuro do trabalho.

CEO defende que Brasil não importe medo da IA

Para Mônica, empresas brasileiras precisam olhar para a inteligência artificial de acordo com a realidade do país, e não apenas repetir preocupações de economias mais maduras.

“Temos que parar de ficar importando ansiedades. Esta galera lá do Vale do Silício está loucaça, porque cada dia eles estão desenvolvendo uma coisa nova, só que eles estão numa economia madura”, afirma.

Na visão da executiva, o Brasil ainda tem um problema central de baixa produtividade, especialmente em pequenas e médias empresas. Nesse cenário, a IA pode preencher lacunas que hoje atrapalham a competitividade.

“Mais do que substituir, no contexto brasileiro, faz muito mais sentido pensar que a inteligência artificial vai preencher lacunas que estavam vazias e que afetavam diretamente a nossa produtividade”, diz.

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