As stablecoins se consolidaram como o principal tipo de criptoativo movimentado por brasileiros nos últimos anos. Entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, contribuintes declararam R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda de criptomoedas à Receita Federal. Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão veio de stablecoins, o equivalente a 71,7% do volume declarado.
A preferência ficou ainda mais evidente em 2025. No ano passado, as stablecoins representaram mais de 80% do volume mensal declarado em criptoativos. Na prática, de cada cinco reais movimentados em criptomoedas, mais de quatro passaram por ativos digitais pareados a moedas ou outros instrumentos.
O avanço também aparece no número de transações. Foram 185,7 milhões de operações de compra e venda declaradas no período, contra praticamente nenhuma em 2019.
USDT domina mercado brasileiro de stablecoins
A stablecoin mais usada pelos brasileiros é a USDT, emitida pela Tether e pareada ao dólar americano. Sozinha, ela respondeu por 88,7% de todo o volume declarado em stablecoins entre agosto de 2019 e dezembro de 2025.
Segundo a Receita Federal, isso equivale a aproximadamente R$ 1 trilhão em transações no período.
Na sequência aparecem a USD Coin (USDC), emitida pela Circle, com 7,1% do volume, e a Brazilian Digital Token (BRZ), stablecoin pareada ao real, com 3,4%.
Dados da plataforma Índice Biscoint mostram que o volume negociado de USDT chegou a R$ 13,11 bilhões em junho, alta de 36,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. O valor representa o maior volume desde janeiro de 2024, quando o monitoramento começou.
Por que as stablecoins cresceram no Brasil
A alta das stablecoins está ligada à busca por exposição ao dólar de forma mais simples e digital. Esses ativos permitem dolarizar parte do patrimônio sem abrir conta no exterior, comprar moeda física ou recorrer a estruturas financeiras mais complexas.
Outro fator é o uso em operações de câmbio e transferências internacionais. Por enquanto, essas transações ainda escapam da cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras, o IOF, o que pode tornar o envio de recursos para fora do país mais barato em determinados casos.
Essa vantagem, porém, pode mudar. O governo estuda aplicar uma alíquota de 3,5% de IOF sobre operações com stablecoins, medida que afetaria diretamente a atratividade desses ativos em transações internacionais.
Regulação entra no radar
O crescimento acelerado das stablecoins também aumentou a pressão por regulação. A Câmara dos Deputados discute o Projeto de Lei 4.308/2024, que cria um marco regulatório específico para esse tipo de criptoativo.
O texto trata de regras para emissão, circulação e fiscalização de stablecoins no Brasil. A discussão deve envolver representantes do Banco Central, da Receita Federal e de entidades do setor.
A regulação é vista como uma etapa importante para definir como esses ativos serão tratados em temas como câmbio, tributação, prevenção à lavagem de dinheiro, emissão por empresas privadas e uso em pagamentos.
