Stablecoins concentram 80% das operações com criptoativos declaradas à Receita Federal

Foto: Divulgação

As stablecoins, criptomoedas com valor atrelado a ativos como o dólar ou o real, passaram a concentrar aproximadamente 80% do volume de criptoativos declarados à Receita Federal. Os dados foram divulgados pelo Fisco às vésperas da entrada em vigor da DeCripto, nova obrigação acessória destinada ao reporte de operações com ativos digitais.

O levantamento mostra uma mudança significativa no perfil do mercado brasileiro de criptomoedas, com maior utilização de ativos digitais de baixa volatilidade.

Participação cresceu rapidamente

Segundo a Receita Federal, as stablecoins representavam apenas 3,5% do volume declarado em 2019. Nos anos seguintes, a participação cresceu de forma acelerada, chegando a ultrapassar 90% em determinados períodos e estabilizando-se em torno de 80% das operações declaradas.

O avanço está relacionado ao uso crescente desses ativos em pagamentos internacionais, proteção cambial e transferências de recursos.

USDT lidera as negociações

Entre as stablecoins, a USDT (Tether) concentra a maior parte das operações informadas à Receita Federal, respondendo por cerca de 88,7% do volume negociado entre agosto de 2019 e dezembro de 2025.

Na sequência aparecem a USDC, com aproximadamente 7,1%, e a BRZ, stablecoin indexada ao real, com cerca de 3,4% das negociações.

Nova declaração amplia fiscalização

A partir de julho de 2026, empresas brasileiras e plataformas estrangeiras que operam com clientes no país deverão enviar informações por meio da DeCripto, novo sistema criado pela Receita Federal para acompanhar operações com ativos digitais.

A medida segue padrões internacionais de transparência e busca ampliar o controle sobre o mercado de criptoativos, fortalecendo o combate à evasão fiscal e à lavagem de dinheiro.

Uso vai além dos investimentos

Diferentemente de criptomoedas mais voláteis, como o Bitcoin, as stablecoins têm sido utilizadas principalmente como meio de pagamento, reserva temporária de valor e instrumento para remessas internacionais.

Por serem lastreadas em moedas fiduciárias, esses ativos tendem a apresentar menor oscilação de preço, característica que favorece sua adoção em operações financeiras e comerciais.

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