Startups de biotecnologia são premiadas pelo BNDES Garagem

Vivian Fernandes/BNDES

A Ecosynth, startup do Rio Grande do Sul que desenvolve soluções biotecnológicas para tratamento de águas e efluentes industriais, foi a grande vencedora da edição de 2026 do programa BNDES Garagem no módulo de criação, que apoia negócios em estágio inicial. Já no módulo de tração, focado em acelerar negócios já estabelecidos, o primeiro lugar ficou com a Lunagreen Bioativos, empresa goiana que fabrica insumos sustentáveis para a indústria de cosméticos.

A entrega de premiações foi realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nesta terça-feira, 16. Foram agraciadas as 10 startups finalistas do programa BNDES Garagem. Além disso, cinco negócios foram contemplados com o inédito Prêmio BNDES Garagem Mais Brasil, que valoriza iniciativas do Norte, Nordeste e das periferias. Ao todo, as 15 empresas vencedoras receberam aporte de quase R$ 1 milhão.

O BNDES Garagem é uma das principais iniciativas de estímulo ao empreendedorismo com impacto socioambiental no Brasil. Na cerimônia de abertura, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o Banco é o grande “olheiro” do Brasil: “O BNDES está de olho em startups do país inteiro. Vamos trazer parceiros para que vocês entreguem ao país todo esse potencial que mostraram aqui. Queremos montar uma rede institucional que fortaleça a inovação e traga novos caminhos para produzir soluções de mais qualidade e menor custo”, disse.

Durante o evento, o BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram uma chamada pública para seleção de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) voltado a startups brasileiras inovadoras. Mercadante anunciou ainda o investimento, por meio da BNDESPAR, de até R$ 63 milhões no Fundo Antler Brasil I, por meio do qual serão apoiadas até 100 startups.

O presidente frisou que o BNDES está batendo recorde de financiamento para inovação, com R$ 36 bilhões apenas este ano para iniciativas em setores como fármacos e biocombustíveis, entre outros. “Não é fácil ter crédito no início da jornada. Para apoiar startups e projetos em favelas e periferias, precisamos chegar primeiro com recursos não reembolsáveis – o crédito vem depois. E esse tipo de recurso depende do nosso resultado”, acrescentou Mercadante, destacando que o Banco teve em 2025 o maior lucro recorrente da sua história e o segundo melhor resultado do sistema financeiro.

O diretor Financeiro e de Mercado de Capitais do BNDES, Alexandre Abreu, destacou o engajamento de funcionários do Banco como mentores das empresas impulsionadas pelo Garagem. “Desde o início, temos uma participação crescente de mentores. Conseguimos bater recorde este ano, com mais de 70 voluntários inscritos representando todas as áreas da instituição”, disse. Segundo a gerente do BNDES Garagem, Alice Lopes, um dos pilares do programa é trazer inovação para dentro do Banco. “Esse objetivo é concretizado por meio da participação dos mentores”, explicou.

Para a CEO da Ecosynth, Gabriela Pereira, um dos maiores impactos do programa é o acesso a potenciais clientes de grande porte. “Durante o processo, conversamos com grandes indústrias com as quais a gente não conseguia falar. O BNDES abriu as portas para o setor de óleo e gás, um dos mais cruciais para nós. Além disso, o programa não alavanca apenas as startups em si: eles trabalham com afinco para desenvolver nossa resiliência como empreendedores”, comentou.

A CEO da Lunagreen Bioativos, Nathalia Barbosa, destacou a relevância da premiação. “O BNDES é um nome muito forte no Brasil. Para nós, que somos um negócio de impacto lutando por inovação social e ambiental, ter esse respaldo é muito gratificante”, avaliou.

Em segundo lugar no módulo de tração, a Aqua Viridi disse que o Garagem foi essencial para estruturar e sistematizar os processos internos. “Levar o prêmio é muito bom, mas o valor que o projeto trouxe para o nosso amadurecimento tem um peso gigantesco”, disse a CEO da empresa, Fabiane Almeida.

O CEO da Dirac Energia, ganhadora do segundo lugar no módulo de criação, destacou o crescimento da companhia em maturidade tecnológica e discernimento do mercado. “Foi o melhor programa de aceleração de que participamos em toda a nossa jornada”, disse André Bonaventura.

A cerimônia incluiu pela primeira vez a entrega do Prêmio BNDES Garagem Mais Brasil, criado para reconhecer negócios das regiões Norte e Nordeste e da temática de periferias com aportes de R$ 30 mil (tração) e R$ 20 mil (criação). Na categoria de criação, as vencedoras foram a Amazon Rhiira (Norte), a Z Future (Nordeste) e a Work Resíduos (economia da periferia).

No módulo de tração, foram premiadas a Carbono 14 (Nordeste) e a Lovel (periferia). “Participar dessa imersão foi um verdadeiro divisor de águas para a nossa startup. Graças ao BNDES, já conquistamos contratos importantes”, disse Priscilla Silva, representante da Carbono 14.

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